Um procedimento médico inusitado determinou que um menino de 2 anos e 9 meses, internado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para uma cirurgia de hérnia, acabasse perdendo as amígdalas. Segundo os cirurgiões, a retirada foi necessária para que fosse entubado, mas o caso foi parar na Delegacia de Pronto-Atendimento (DPPA) porque a família não foi comunicada da retirada das amígdalas. Depois de falar com os três médicos envolvidos na cirurgia - o pediatra, o anestesista e o otorrinolaringologista (especialista em ouvido, nariz e garganta) - a diretora técnica do hospital, Rosa Wolf, descartou a possibilidade de erro médico. Ela disse que não há nada que justifique a abertura de uma sindicância.
- O que aconteceu é que o menino recebeu a indução à anestesia (de forma gradativa) para operar a hérnia, mas na hora de entubar, o cirurgião percebeu que as amígdalas eram grandes demais e o tubo não passaria. Precisava operar - disse a diretora.
Rosa Wolf explicou que, devido a um sangramento sério a hérnia não pode ser operada e o menino não poderia ficar entubado por mais tempo. Os argumentos não convenceram a família, que reclama principalmente da falta de comunicação. Rosa alega que os médicos tiveram de tomar a decisão sozinhos, porque o caso se tornou de urgência. Depois de anestesiado, segundo ela, o paciente consegue ficar sem respirar apenas cinco minutos sem ajuda de aparelhos. Após este período, pode ter uma parada cardíaca e morrer.
Os pais não entendem por que o tamanho das amígdalas não foi visto antes de o menino tomar a anestesia.