Rio de Janeiro, 28 de Maio de 2026

Menem vai suspender denúncia de fraude eleitoral

Quarta, 07 de Maio de 2003 às 06:13, por: CdB

O ex-presidente Carlos Menem decidiu suspender até quarta-feira uma apresentação, ante a justiça eleitoral argentina, para denunciar supostas manobras de fraude nas eleições presidenciais do último dia 27 de abril. Porta-vozes da Frente pela Lealdade, liderada por Menem, asseguraram hoje à EFE que a denúncia será apresentada amanhã ante a juíza eleitoral federal María Servini de Cubría, apesar do advogado dessa facção política peronista, Luis Giacosa, ter dito que a apresentação se realizaria hoje, terça-feira. A denúncia do ex-presidente se baseia em uma investigação jornalística exibida, na semana passada, pelo Canal 13 da televisão argentina, onde denunciou-se a venda de documentos de identidade de pessoas falecidas mas que ainda estão nos censos eleitorais. Os documentos teriam sido utilizados no primeiro turno das eleições para a escolha do futuro presidente da Argentina. Segundo fontes ligadas a Menem, as supostas manobras beneficiaram o também peronista Néstor Kirchner, que conta com o respaldo do Governo de Eduardo Duhalde e que competirá com o ex-presidente no segundo turno que será realizado no próximo dia 18 de maio. A possível fraude teria ocorrido no Massacre, o mais populoso distrito da grande Buenos Aires, com forte presença dos seguidores de Duhalde, onde Kirchner tirou uma vantagem de 65.500 votos, quase 12 pontos percentuais em relação a Menem. As suspeitas de fraude avivaram a campanha política para o segundo turno, com acusações entre os partidários de ambos os candidatos. Em declarações a Rádio Mitre de Buenos Aires, Kirchner disse que com as denúncias de fraude Menem "trata de aprofundar a falta de credibilidade no sistema institucional, de desgastar de qualquer maneira as instituições, para que depois não haja fortalecimento da governabilidade". O companheiro de partido de Menem, o governador de Salta, Carlos Romero, acusou o governo de Duhalde de desenvolver uma "ação psicológica" para prejudicar o ex-governante nas eleições presidenciais, ao vaticinar sua derrota ou lançar rumores sobre um possível abandono da disputa eleitoral. Segundo as pesquisas, Kirchner, que alcançou o segundo lugar no dia 27 de abril, superará Menem no segundo turno por uma ampla margem.

Tags:
Edições digital e impressa