O ex-presidente argentino Carlos Menem se comprometeu a colaborar com a Justiça local nos processos em que é investigado, depois de nove meses refugiado no Chile com pedido de captura internacional. Menem se apresentou nesta segunda-feira a dois juizes que o investigam por omissão maliciosa de uma conta na Suíça e por administração fraudulenta na construção de prisões, após os magistrados o eximirem de prisão recentemente em ambas as causas.
O ex-presidente, que governou o país entre 1989 e 1999, não poderá sair da Argentina sem autorização prévia judicial e se comprometeu a apresentar-se quando for solicitado pelos tribunais.
- Para o caso de (Menem) não cumprir as normas estabelecidas (...) acontece a execução dos bens entregues como garantia - afirmou o juiz Norberto Oyarbide, que investiga o ex-presidente por omissão maliciosa.
O magistrado eximiu Menem de prisão na semana passada, mas fixou uma multa de três milhões de pesos (1 milhão de dólares), que foi coberta com propriedades de familiares e amigos do ex-presidente.
Oyarbide disse na sexta-feira que recebeu documentação oficial da Suíça constando que Menem não possui contas naquele país e explicou que a causa continua em curso enquanto são investigados funcionários e familiares do ex-presidente por outras contas bancárias.
Menem disse à rede CNN em 2002 que tinha uma conta na Suíça de 600.000 dólares provenientes de uma indenização estatal por sua prisão durante a ditadura que governou a Argentina entre 1976 e 1983.
O juiz Jorge Urso, que investiga Menem por administração fraudulenta na construção de prisões durante seu mandato, não fez declarações.
O ex-presidente permaneceu refugiado em Santiago com sua esposa, a ex-2Miss Universo Cecilia Boloco, e o filho deles, Máximo Saúl, para escapar das ordens de captura internacional que a Justiça argentina havia estabelecido.
Menem solicitou à Justiça permissão para viajar ao Chile para festejar o ano novo, segundo fontes judiciais, e deve esperar a decisão dos tribunais.
O ex-presidente é inimigo político número um do atual presidente Néstor Kirchner, e, apesar de serem do mesmo partido, Menem declarou à imprensa que não tem nenhuma relação com Kirchner e que o atual presidente não é peronista, mas marxista.
No Chile, antes de viajar para Argentina, Menem ratificou sua intenção de ser candidato à presidência em 2007 e disse: "vou ter apenas 77 anos".