Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Mendoza e uma esquecida fórmula cervantina

Quarta, 07 de Setembro de 2011 às 12:40, por: CdB

08.09.2011 

Adelto Gonçalves (*)

Em 1975, três meses antes da morte do generalíssimo Franco, a Espanha, entre satisfeita e perplexa, descobria um romance que, por sua originalidade, contrastava com tudo o que se escrevia no país àquela época. Chamava-se La verdad sobre el caso Savolta (Seix-Barral, Planeta Espanha). E seu autor, Eduardo Mendoza, passava a ocupar um lugar no altar reservado às promessas literárias.        Era o momento em que a literatura espanhola, sem medo de reconhecer a influência dos grandes escritores do boom latino-americano, como Gabriel García Márquez, Julio Cortázar e Mario Vargas Llosa, reciclava-se e passava a apresentar um produto novo.

            Trinta e seis anos depois, Mendoza não é mais uma promessa, mas, sim, um autor consagrado. No total, o autor já deu à luz 17 títulos, tendo vendido cerca de um milhão e meio de exemplares. Só o recente A assombrosa viagem de Pompônio Flato (Planeta, 2010), que o autor define como uma "novela de humor" ou "de avión", passou dos 500 mil exemplares na Espanha. Como seus livros "vendem como churros" - para se repetir aqui uma típica frase mendozina -, ele vive de direitos autorais há três décadas, privilégio reservado a poucos.

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