Rio de Janeiro, 29 de Março de 2026

Membros do Hezbollah são julgados pela justiça comum em Israel

Segunda, 18 de Setembro de 2006 às 09:25, por: CdB

Promotores israelenses indiciaram três guerrilheiros do Hezbollah, nesta segunda-feira, por uma série de acusações, incluindo a de ajudar a organizar a operação que deflagrou a guerra entre Israel e o Hezbollah no Líbano. Os três acusados, todos de 20 e poucos anos, também estão sendo acusados de assassinato, tentativa de assassinato e de pertencer a um grupo extremista. O julgamento, que acontecerá na Corte Distrital de Nazaré, reflete a recusa israelense em reconhecer o Hezbollah como uma força de combate legítima, apesar do forte apoio com o qual o grupo conta no Líbano, onde tem até representação no governo e no Parlamento.

Os réus foram identificados como Mahmoud Ali Suleiman, Mohammed Srur e Maher Qurani. Segundo fontes israelenses, eles foram capturados no sul do Líbano durante a guerra, deflagrada quando o Hezbollah sequestrou dois soldados israelenses e matou oito numa emboscada no dia 12 de julho. Srur e Qurani foram acusados de tentativa de homicídio. Suleiman foi acusado de homicídio, por sua atuação dando cobertura à operação, embora o texto do indiciamento diga que ele não chegou a atirar.

Segundo os promotores, os guerrilheiros teriam recebido treinamento no Irã, arquiinimigo de Israel e patrocinador do Hezbollah, alegaram. As penas previstas em caso de condenação são bastante extensas. O fato de julgar os três numa corte criminal aberta, em vez de num tribunal militar, pode indicar o desejo das autoridades israelenses de fazer uma exibição pública que amenize o descontentamento da população de Israel com o fim da guerra, encerrada no dia 14 de agosto com uma trégua imposta pela ONU.

Embora tenham matado cerca de 1,2 mil pessoas no Líbano, a maioria civis, as Forças Armadas de Israel não conseguiram derrotar o Hezbollah, nem mesmo impedir os ataques com foguetes. Israel perdeu 157 pessoas na guerra, a maioria soldados. Nas guerras do passado contra países árabes, Israel capturou soldados inimigos para trocá-los por seus prisioneiros. Assim como os Estados Unidos, Israel considera o Hezbollah um grupo terrorista. A União Européia não inclui o grupo entre as organizações terroristas. Fontes políticas israelenses já previram a libertação de prisioneiros libaneses em troca dos dois soldados mantidos como reféns pelo Hezbollah. Mesmo se forem condenados, os três integrantes do Hizbollah podem ter a expectativa de ser incluídos numa troca desse tipo.

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