Rio de Janeiro, 30 de Março de 2026

Membros do governo renunciam em protesto à permanência de Blair

Quarta, 06 de Setembro de 2006 às 08:41, por: CdB

O subsecretário de Estado de Defesa britânico, o deputado Tom Watson, e outro membro do alto escalão governamental renunciaram, nesta quarta-feira, em protesto contra a reticência do primeiro-ministro, Tony Blair, em fixar uma data para deixar o poder.

Watson, promovido ao Executivo pelo próprio Blair, justificou sua decisão argumentando que "não interessa nem ao partido (trabalhista) nem ao país" que o primeiro-ministro continue à frente do Governo.

- Compartilho a opinião da arrasadora maioria do partido e do país de que a única forma de o partido e o Governo se renovarem no poder é que se renove urgentemente sua liderança -  afirma a carta de renúncia de Watson enviada a Blair.

Posteriormente, o deputado Khalid Mahmood, secretário parlamentar privado do secretário de Estado de Interior, Tony Paul McNulty, anunciou sua renúncia pelo mesmo motivo.

Os dois parlamentares fazem parte dos 17 deputados trabalhistas que esta semana assinaram uma carta exigindo que Blair defina quando deixará o Governo.

Após a renúncia de Watson, o primeiro-ministro se apressou em emitir um comunicado no qual afirma que tinha intenção de despedi-lo por ter assinado uma carta "desleal, descortês e errônea".

Watson revelou que foi advertido na noite passada por Jacqui Smith, responsável pela disciplina parlamentar do Partido Trabalhista, que sua posição no governo era "insustentável" a menos que retirasse seu nome da polêmica carta.

- Refleti durante a noite passada. Não posso retirar meu nome e, portanto, aceitei o julgamento dela (Smith). Abandono o Governo com a maior tristeza - afirmou Watson.

Em uma tentativa de tentar conter o crescente descontentamento de vários deputados trabalhistas, membros do governo leais a Blair garantem que o governante deixará o cargo em um ano.

Em 2005, após conseguir um histórico terceiro mandato, Blair anunciou que não se candidatará a uma quarta legislatura nas próximas eleições gerais, previstas para 2010, mas se nega a estabelecer uma data para sua saída.

No entanto, é cada vez maior o número de deputados trabalhistas que exigem do primeiro-ministro um calendário para ceder o poder ao ministro da Economia, Gordon Brown, considerado seu sucessor natural.

O tablóide The Sun publicou, nesta quarta-feira, que o chefe do Executivo renunciará à liderança do Partido Trabalhista em 31 de maio de 2007.

Segundo a publicação, Blair deixará a residência oficial de Downing Street em 26 de julho após um recorde de mais de dez anos à frente do Governo britânico. O escritório do chefe trabalhista se recusou a confirmar as duas datas.

De acordo com o jornal The Times, cerca de 100 deputados trabalhistas exigirão em breve que Blair confirme publicamente sua data de retirada caso não queira se expor a um motim destinado a tirá-lo à força do poder.

O problema para o primeiro-ministro é que a rebelião não se limita mais à tradicional esquerda trabalhista, que considera que, sob o rótulo de Novo Trabalhismo, Blair seqüestrou o partido para fazer uma política aceitável para os conservadores.

Entre os signatários da carta também estão vários deputados que chegaram em 2001 ao Parlamento sob o Novo Trabalhismo, como o próprio Watson.

A oposição a Blair possui muitos motivos, que vão desde a irritação da ala sindical pelas privatizações realizadas pelo primeiro-ministro aos protestos da esquerda pacifista pela Guerra do Iraque e à falta de solução para o conflito no Oriente Médio.

Além disso, vários parlamentares simplesmente têm medo de perder suas cadeiras nas próximas eleições gerais.

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