Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), criticou a ação da Polícia Militar de São Paulo no resgate de duas adolescentes seqüestradas na cidade de Santo André (SP). O seqüestro começou na última segunda-feira e terminou na noite de sexta-feira após a PM invadir o local onde as duas adolescentes eram mantidas reféns pelo ajudante de produção Lindemberg Fernandes Alves. Durante a ação da PM, as duas adolescentes foram baleadas.
Na terça-feira, o seqüestrador liberou uma das meninas. Na quinta, no entanto, ela foi reconduzida pela polícia ao cativeiro.
– Nos espantou o fato que a adolescente ter ficado como refém, depois ter sido libertada e acabou retornando ao local, inclusive com a participação de policiais, o que é inaceitável no que diz respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê que nenhum adolescente seja submetido a uma situação de risco à sua vida ou à integridade física – avalia Ariel.
O membro do Conanda ressalta que a cobertura excessiva dos veículos de comunicação pode ter colaborado negativamente no desfecho do caso. Durante o seqüestro, Fernandes chegou a ser entrevistado ao vivo por programas de televisão e sites.
– Na prática, o seqüestrador ficou com o controle total da situação, ele até exigiu a volta de uma adolescente. A gente precisa verificar até que ponto o excesso de cobertura não colabora para alimentar esse tipo de situação. Falta uma transparência maior do governo nesses casos de reunir toda a imprensa e falar o que pode ser noticiado e no que a imprensa precisa colaborar não noticiando – defende.
Por se tratar de um seqüestro envolvendo adolescentes, Ariel avalia ainda que o caso mereceria um tratamento diferenciado.
– Nesse tipo de caso é necessário um cuidado maior porque se tratam de jovens adolescentes, pessoas que têm um temperamento diferenciado e estão em formação da sua personalidade e instáveis. Por isso a necessidade de especialistas para colaborar nessas ocorrências – afirmou.
Médicos
Na manhã deste sábado o neurocirurgião Marco Túlio Setti, disse que o estado de saúde da adolescente Eloá Cristina Pimentel, 15 anos, piorou em relação a sexta-feira, dia do crime. O neurocirurgião disse que a jovem está na pior pontuação numa escala que vai de 15 a 3 e existe a possibilidade de morte cerebral e que caso ela sobreviva pode ficar em estado vegetativo permanente.A bala atravessou toda a cabeça de Eloá.
A amiga de Eloá, Nayara Silva, também de 15 anos, apresenta um bom quadro pós-operatório bom, já que respira sem aparelhos desde o fim da cirurgia e não apresenta sinais de infecção.