Para um homem que seria o terceiro mais importante na hierarquia da Al Qaeda, Abu Faraj Farj Al Liby conseguiu viver de forma surpreendentemente discreta.
A foto dele nem mesmo aparecia na lista dos "terroristas mais procurados" elaborada pelo FBI (polícia federal dos EUA) e publicada no site da entidade.
Mas membros dos serviços de inteligência do Paquistão dizem que a captura do militante, nascido na Líbia, representa a melhor chance surgida até agora de encontrar o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, e o vice dele, Ayman Al Zawahri.
"Se alguém no Paquistão sabe o paradeiro deles, essa pessoa seria Liby", disse à Reuters uma autoridade dos serviços de inteligência, apesar de o ministro do Interior do país, Aftab Sherpao, ter advertido que era cedo para "fazer especulações".
Liby ficou famoso no Paquistão depois de as forças de segurança o terem apontado como o responsável por planejar as duas tentativas de assassinato do presidente do país, Pervez Musharraf, levadas a cabo em dezembro de 2003.
O militante foi descrito como o chefe de operações da Al Qaeda no território paquistanês, apesar de as ordens para os atentados contra a vida de Musharraf terem partido de Zawahri.
As autoridades divulgaram uma foto de Liby para os meios de comunicação paquistaneses nos meses seguintes aos dos ataques, mas poucos detalhes tinham sido divulgados a respeito dele.
Uma fotografia do militante capturado mostra um homem barbudo que sofre de uma doença de pele parecida com o vitiligo, que provoca manchas decorrentes da falta de pigmentação.
A imagem era bastante diferente daquela divulgada anteriormente, na qual Liby aparece usando terno e gravata.
O militante, nascido em 1965, substituiu Khalid Sheikh Mohammed como o número três da Al Qaeda. Mohammed, acusado de ter planejado os ataques do 11 de setembro de 2001, foi preso em Rawalpindi (Paquistão), em março de 2003.
Liby viajou para o Paquistão pela primeira vez durante os anos 80 a fim de ingressar na jihad (guerra santa), então travada com o apoio velado dos EUA contra os soviéticos que ocupavam o Afeganistão.
O militante ajudou a recrutar mujahideen (guerreiros sagrados) árabes para a causa que também atraiu Bin Laden para a região.
Também por volta desse período, Liby, que fala urdu, casou-se com uma paquistanesa.
Depois do fim da jihad no Afeganistão, o militante viajou para o Sudão, no começo dos anos 90, a fim de se juntar ao chefe da Al Qaeda ali. Nesse período, Liby se tornou chefe de operações do grupo no norte da África. Depois, substituiria Mohammed como o número três da Al Qaeda.
Segundo os serviços de inteligência do Paquistão, quando capturado, o militante portava telefones operados por via satélite e um celular de alta frequência.