Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Melhoria na produção industrial significa retomada do crescimento

Quinta, 02 de Julho de 2009 às 12:07, por: CdB

A produção da indústria brasileira subiu mais que o esperado em maio frente ao mês anterior, novamente beneficiada pelo categoria de bens de consumo duráveis. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta-feira que a produção subiu 1,3% ante abril, no quinto avanço seguido nessa comparação. O desempenho supera a projeção de analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters, de expansão de 0,4%. O IBGE também revisou levemente para cima os dados de janeiro, fevereiro e abril.

– Há uma recuperação na margem, que é positiva, gradual e contínua – disse a economista do IBGE Isabela Nunes, ressaltando que a indústria voltou ao patamar de junho de 2006. Até abril, a indústria operava no nível de abril de 2005.

Segundo o IBGE, desde o agravamento da crise global, em setembro passado, a indústria ainda acumula perda de 13,8 %. Até abril, o ônus era de 15 %.

– Há uma sensação de recuperação no ar ao se analisar os dados de indústria, produção e sondagens do setor. No entanto, não dá para se falar num movimento generalizado. O crescimento é gradual e não é uniforme – acrescentou.

Segundo o IBGE, a trajetória de expansão em 2009, na comparação com os meses imediatamente anteriores-- é capitaneada pelo segmento de veículos, que foi estimulado por incentivos do governo e pela expansão da renda.

– Os veículos são o motor da recuperação. Eles representam 10 % de toda a indústria e têm um forte encadeamento com os setores de plástico, metalurgia e borracha – disse a economista, frisando que o crescimento de veículos já alavanca o segmento de bens intermediários, o mais importante da indústria (com peso de 57 %).

Produção

Na passagem de abril para maio, todas as categorias de uso melhoraram o ritmo de produção, sendo que os bens de consumo duráveis lideraram com crescimento de 3,8%, seguidos por bens de consumo semi e não-duráveis (1,3%) e bens intermediários (1,2%). Os bens de capital, com expansão de 0,7%, ficaram abaixo da média de crescimento de 1,3%. O avanço atingiu 20 de 27 atividades pesquisadas.

Frente a maio de 2008, houve queda de 11,3% na produção – mantendo uma sequência de sete meses de taxas negativas. Neste caso, o resultado também foi um pouco melhor que a retração esperada, que era de 12%. A queda de 11,3% pode ser considerada um dos melhores resultados do ano na comparação anual, uma vez que o resultado de março (-9,7%), o melhor até então, foi favorecido pelo maior número de dias úteis.

Na comparação com maio do ano passado, todas as categorias de uso registraram decréscimo, com bens de capital registrando a maior queda, de 22,8 %. A produção de bens duráveis caiu 13,7 %, os bens intermediários recuaram 13,8% e os bens de consumo semi e não-duráveis, 1,8%. Entre as atividades, a queda na indústria refletiu o comportamento negativo de 22 das 27 pesquisadas.

No acumulado do ano, a atividade industrial tem queda de 13,9%. Em 12 meses, o recuo é de 5,1%, pior resultado desde o início da série histórica, em 1991.

Demanda interna

Com base no índice de média móvel trimestral, a indústria geral acumulou, de fevereiro a maio, crescimento de 4,2% – com bens de consumo duráveis aumentando 22,7%, bens intermediários expandindo 3,7% e bens de consumo semi e não-duráveis, 3,2%. A exceção foi bens de capital, com perda de 5,9%.

– Esse perfil de desempenho sugere que o fator de peso na recuperação de 2009 está associado a setores relacionados à demanda interna, enquanto os segmentos produtores de bens de capital e para exportação continuam pressionando negativamente – avaliou o IBGE.

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