O ator Mel Gibson, que transformou um roteiro em latim sobre a crucificação de Cristo em campeão de bilheteria no ano passado, está no México para filmar seu longa mais recente: um filme de ação todo falado em uma língua maia antiga.
O astro que se tornou diretor esteve no Estado de Veracruz, no leste do país, nesta semana, onde deverá filmar "Apocalypto", um thriller que se passa numa aldeia antiga maia e será falado no dialeto yucatec.
- O filme acontece antes da Conquista, então não há rostos europeus. Estamos usando na maior parte indígenas e atores da Cidade do México - declarou Gibson.
O ator ostenta uma barba comprida, e exibiu o novo visual em uma entrevista coletiva na cidade de Veracruz.
- Ainda há muito de mistério na cultura maia (...). É apenas um pano de fundo para o que estou fazendo, criando um filme de aventura e ação de proporções míticas - disse, piscando ante a grande quantidade de flashes.
Gibson alcançou a fama com filmes lucrativos como o épico O Patriota, o thriller de ficção científica Sinais e a série "Máquina Mortífera" e se tornou um dos astros mais rentáveis de Hollywood, exigindo 25 milhões de dólares por filme.
Católico devoto, ele obteve o maior sucesso de sua carreira com "A Paixão de Cristo", que se tornou o filme independente de maior sucesso já feito apesar dos diálogos em latim e aramaico e sequências violentas da crucificação de virar o estômago.
O astro de 49 anos está fazendo "Apocalypto" por meio da sua produtora Icon, com sede em Los Angeles, com orçamento não revelado.
O filme será distribuído pela Disney, embora o roteiro ainda permaneça sob sigilo. As filmagens começam em novembro.
"A Paixão de Cristo" arrecadou 600 milhões de dólares em todo o mundo e deu independência financeira a Gibson.
Gibson disse que a história será contada pelos olhos de um homem maia, de sua família e do vilarejo, e tocará em temas universais sobre "civilizações e o que as faz solapar", mas não quis dar detalhes sobre a trama.
Ele disse que mitos maias dos textos sagrados de Popol Vuh formam parte da pesquisa do filme, que também tirou informação de grupos indígenas e textos das missões espanholas do século 18 e tradutores da língua maia.