O ator e diretor Mel Gibson disse estar surpreso com a intensidade da controvérsia suscitada por seu filme ``Paixão de Cristo'', ainda inédito. A produção vem sendo criticado por algumas lideranças judaicas que a consideram capaz de incitar ao anti-semitismo.
``Isso me deixou espantado'', disse Gibson em entrevista para a edição de março da revista Reader's Digest, que chegará às bancas em 24 de fevereiro. O filme tem estréia na América do Norte marcada para o dia 25 de fevereiro, a quarta-feira de cinzas.
Gibson disse que já esperava ``algum nível de turbulência, porque, quando você mexe com religião e política, as crenças mais profundas das pessoas, não pode deixar de agitar alguma coisa.''
``Mas'', prosseguiu, ``foi espantoso ouvir críticas enquanto eu ainda estava rodando o filme e ser realmente difamado por vozes altas na imprensa --pessoas que sequer tinham assistido ao filme.''
``Paixão de Cristo'', estrelado por Jim Caviezel no papel principal, relata as últimas 12 horas da vida de Jesus Cristo. O filme é baseado nas narrativas dos Evangelhos e é falado unicamente em latim, hebraico e aramaico, o vernáculo da Palestina antiga.
Gibson, que é católico tradicionalista, vem enfrentando críticas contundentes de muitos setores em função da interpretação da história que faz em seu filme.
Lideranças judaicas têm expressado o receio de que o filme possa provocar anti-semitismo por retratar os judeus como responsáveis pela crucificação de Jesus.
Outros grupos religiosos vêm apoiando o filme, dizendo que ele é fiel à interpretação literal dos Evangelhos.
Mel Gibson contou à entrevistadora do Reader's Digest que o filme estava ``incubado'' em sua cabeça havia 12 anos. ``Eu estava espiritualmente falido, e, quando isso acontece, é como se você fosse acometido de um câncer espiritual'', afirmou, referindo-se à época em que começou a mergulhar no tema do filme.
O diretor diz que sua mulher, Robyn, com quem está casado há 24 anos, o ajudou a renovar sua fé religiosa, além de muitas outras pessoas que, ele acha, lhe foram enviadas. ``Mesmo pessoas que têm sido hostis acabaram me ajudando'', disse.
Segundo ele, ``Paixão de Cristo'' é sobre ``fé, esperança, amor e perdão'', que ele espera possam ajudar a curar a situação atual do mundo, sendo a guerra e o genocídio duas das tragédias que mencionou.
``Meus detratores dirão que o filme vai promover o ódio'', disse Gibson. ``Não concordo. Acho que isso é bobagem total. O absurdo dessa afirmação me deixa atônito.''
Um porta-voz do ator disse que a revista Reader's Digest foi escolhida para publicar a entrevista em função de seu largo alcance --ela teria cerca de 40 milhões de leitores-- e o fato de atingir um público principalmente adulto.