O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira que o país não está imune à crise internacional em caso de recessão nos EUA, apesar de estar menos vulnerável às turbulências externas.
– Não há país imune a uma grande crise internacional. Se os EUA entrarem em recessão, (a crise) vai atingir todos os países. Temos segurança de que seremos atingidos de forma muito mais suave – disse.
Para Meirelles, a crise pegaria o país a partir da redução da demanda por produtos brasileiros, especialmente dos EUA, além de uma queda geral no preço das commodities. O presidente do BC também vislumbra um aumento no custo de financiamento das empresas e do governo com o crescimento da aversão geral ao risco.
– Eu dizia no passado que, quando a economia norte-americana pegava uma gripe, nós pegávamos uma pneumonia - às vezes corríamos o risco de uma tuberculose. Na época, tinha como objetivo chegar ao momento em que a economia (norte-)americana pegasse uma gripe forte e nós pegássemos um resfriado. Estamos próximo disso – disse.
Pela terceira vez no ano, Meirelles voltou a afirmar sua preocupação com o que chama de exuberância no preço das ações brasileiras, em meio ao bom momento da economia.
– Todas as experiências de expansão prolongada das economias de qualquer país trazem consigo o risco de exageros, de exuberância e de euforias. Temos risco sim de que possa haver exagero de precificação de alguns ativos. E exageros de precificação levam depois a alguns exageros de correção. No momento em que tudo está indo muito bem -e tudo indica que vai continuar bem- é importante termos cuidado para não correr o risco do exagero da euforia – disse. A afirmação foi feita a uma platéia de mais de cem executivos financeiros.
Meirelles afirmou que espera a continuidade sólida do crescimento para 2008.
– O crescimento da economia é impulsionado pelo consumo das famílias e pelo investimento, que não dão sinais de enfraquecimento. Muito pelo contrário, dão sinais de que no ano que vem teremos um crescimento muito forte – disse.
O presidente do BC fez mais uma vez sua defesa do alto nível de reservas internacionais - nesta quarta-feira, em US$ 176,189 bilhões. Comparou as reservas a um seguro que hoje permite enfrentar as turbulências com relativa tranqüilidade.
– Como a maior parte da dívida externa é em dólar, é normal que boa parte das reservas seja em dólar. A situação é diferente daqueles países que não têm dívida e que podem procurar mais retorno.