Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Meirelles reforça necessidade de cautela na política de juros

Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles realizou, na terça-feira, uma apresentação no Congresso, na qual reforçou aos parlamentares o tom de cautela encontrado na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que explica a interrupção dos cortes da taxa básica de juro do país. (Leia Mais)

Terça, 30 de Outubro de 2007 às 11:12, por: CdB

Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles realizou, na terça-feira, uma apresentação no Congresso, na qual reforçou aos parlamentares o tom de cautela encontrado na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que explica a interrupção dos cortes da taxa básica de juro do país. Para o presidente do BC, há uma lapso entre uma decisão monetária tomada pelo BC e seus efeitos sobre a atividade econômica e a inflação, o que leva a instituição a ser mais cautelosa.

- De vez em quando, bancos centrais devem tomar atitudes de prudência - afirmou.

Meirelles alegou que a prudência "certamente não é o esgotamento do processo de normalização, de crescimento, de expansão da atividade produtiva da economia brasileira".

Na ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, os diretores do BC afirmaram que as incertezas associadas aos mecanismos de transmissão da política monetária e ao ritmo de crescimento da oferta e da demanda no país justificavam uma pausa no processo de flexibilização da política de juro. No documento, os diretores destacaram que "a prudência passa a ter papel ainda mais importante" dentro do processo de estabilização dos preços, considerando a piora dos riscos que rondam a inflação.

Na última reunião de outubro, o Copom interrompeu um ciclo de dois anos de corte da taxa Selic. A decisão de manter o juro em 11,25 por cento ao ano foi tomada por unanimidade.

Colchão mais recheado

Meirelles, em sua exposição aos parlamentares, defendeu ainda uma política de acumulação de reservas internacionais e afirmou que o custo de carregamento destes recursos não deve ser avaliado tendo como base apenas a tendência atual do dólar. Durante reunião conjunta de uma série de comissões da Câmara dos Deputados, o presidente do BC destacou que a moeda norte-americana vive um ciclo de desvalorização em todo mundo, mas frisou que o câmbio é flutuante, o que indica que a moeda não seguirá um caminho único.

Para o executivo, as agências de classificação de risco dificilmente teriam mantido uma avaliação positiva do Brasil, em meio às turbulências internacionais, se as reservas não estivessem no patamar atual, acima de US$ 160 bilhões. Durante sua apresentação, Meirelles também citou como medias de fortalecimento da economia a eliminação do endividamento interno atrelado à taxa de câmbio e a redução da exposição cambial dos bancos, determinada pelo BC.

- O aumento da turbulência internacional ocorreu em momento em que o Brasil está muito mais preparado para (enfrentar) isso - disse.

Tags:
Edições digital e impressa