Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Meirelles muda de ideia e volta atrás na penalização à educação e saúde

Após reunião com o relator do texto em comissão especial da Câmara dos Deputados, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), Meirelles afirmou que a mudança se deu por avaliação de que 2017 será um ano de receitas mais estáveis

Segunda, 03 de Outubro de 2016 às 12:19, por: CdB

Após reunião com o relator do texto em comissão especial da Câmara dos Deputados, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), Meirelles afirmou que a mudança se deu por avaliação de que 2017 será um ano de receitas mais estáveis

 
Por Redação - de Brasília
  Responsável pelas finanças públicas, à frente do Ministério da Fazenda, Henrique Meirelles afirmou, nesta segunda-feira, que pretende alterar o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita gastos públicos. Vai impor um piso para as áreas de saúde e educação obedecendo a inflação apenas a partir de 2018. Desistiu de iniciar a reforma em 2017, como originalmente queria o governo. Trata-se de um recuo, às vésperas da votação inicial da matéria no Legislativo.
HenriqueMeirelles-RepWeb1.jpgMeirelles ocupa o Ministério da Fazenda no governo do presidente de facto, Michel Temer
Após reunião com o relator do texto em comissão especial da Câmara dos Deputados, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), Meirelles afirmou que a mudança se deu por avaliação de que 2017 será um ano de receitas mais estáveis. Conforme proposto anteriormente, o avanço dos gastos nestas áreas teria como piso, ano que vem, a inflação de 2016. — Consideramos que (2017) é um ano em que a receita estará mais estável, em função de já ser um ano de recuperação da economia. De um lado, não ter questões de repatriação e incertezas de repatriação de outro — afirmou Meirelles. Para 2017, portanto, valerá a vinculação dos gastos para educação e saúde à receita, como é atualmente estabelecido pela Constituição. Hoje, a aplicação de recursos em saúde deve ser de no mínimo 13,2% da receita corrente líquida do exercício financeiro. Para a educação, o governo deve aplicar o equivalente a 18% da receita líquida de impostos. Questionado se a alteração representava uma concessão para o texto ser aprovado no Congresso, Perondi afirmou que não. O deputado disse ainda que o relatório será lido na comissão na terça e votado na quinta-feira. Meirelles, por sua vez, avaliou que o texto mantém seus "termos fundamentais”. E que a expectativa é que seja aprovado pelos parlamentares com esse formato.

Indexador móvel

Dentre as outras alterações no relatório em relação à versão originalmente enviada pelo governo. Também está a possibilidade de mais mudanças no índice de correção. Inicialmente, o governo tinha estabelecido o IPCA como índice, podendo ser alterado a partir do 10º ano. Agora, o presidente da República poderá mudar o indexador uma vez a cada mandato, após passados 10 anos. Meirelles explicou que o relatório manterá o prazo de vigência do regime de limitação por 20 anos, "sendo que foi estabelecida uma adição a isso de que depois dos 10 anos o presidente da República pode propor alteração do critério uma vez a cada mandato presidencial". Em outra frente de mudança, a correção se dará não mais pela inflação do ano cheio, mas no acumulado em 12 meses até junho do ano anterior. A exceção ocorrerá em 2017, para o qual valerá o percentual de 7,2% para restrição do avanço dos gastos públicos. Assim, em 2018 o crescimento global das despesas obedecerá à inflação medida nos 12 meses até junho de 2017. A reunião realizada mais cedo para fechar os detalhes do relatório da PEC também contou com a participação do ministro interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, e do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.
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