O Sistema Financeiro Brasileiro tem pela frente, nos próximos meses e anos, o grande desafio de encontrar soluções para reduzir o spread bancário (diferença entre o custo de captação do dinheiro e a taxa de juros cobrada sobre os empréstimos). A afirmação em tom de alerta sobre o papel a ser desempenhado pelas instituições na ampliação do acesso da sociedade aos serviços bancários foi feita nesta segunda-feira pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante discurso no 4º Seminário de Atendimento Bancário/Qualidade no Atendimento aos Clientes, promovido pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).
Em seu pronunciamento, Meirelles defendeu a necessidade de regras claras sobre as operações e maior competição entre as instituições financeiras, para que haja a melhoria da qualidade do atendimento ao usuário de serviços bancários. "Regulação, competição e transparência são requisitos essenciais para assegurar a eficiência de qualquer setor em uma economia moderna", disse.
Também recorreu ao sociólogo inglês T. H. Marshall para demonstrar que a cidadania pressupõe, além do pleno exercício dos direitos civis e políticos, os chamados direitos econômicos. Ele citou que estudo recente feito pelo Banco Central em conjunto com o Banco Mundial revela que a exclusão financeira reduz o bem-estar social potencial dos indivíduos e a produtividade dos empreendimentos econômicos. Para combater essa exclusão, segundo observou, correspondentes bancários vêm atuando em localidades que não contam com agências e serviços básicos são prestados pelas agências de correios, supermercados e outros estabelecimentos comerciais.
Pouco antes de sua fala, discursou o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Krepel Goldberg. Segundo o secretário, projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional propõe mudanças no atual sistema de fusões e aquisições do sistema bancário, sinalizando alterações nas análises sobre o crédito rotativo. A matéria já enviada à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados deve ser definida até o final do ano que vem. Goldberg informou que uma das questões em estudo é a de estabelecer menores taxas de juros aos consumidores que pagam as suas contas em dia.
Na avaliação do presidente do Banco Central, a tendência é de uma expansão da relação Crédito/Produto Interno Bruto (PIB) na medida em que a estabilidade dos preços comece a se firmar cada vez mais no Brasil. Ele lembrou que alguns exemplos neste sentido, voltados para a inclusão financeira, já podem ser observados como a consignação do crédito em folha de pagamento das empresas aos trabalhadores do mercado formal e o programa de microcrédito a pequenos empreendedores.
"O sistema financeiro não pode mais ter um comportamento que, como nos famosos versos de Carlos Drummond de Andrade, se caracteriza pelo "alheamento do que a vida é porosidade e comunicação'". A missão do Banco Central, segundo Meirelles, é de criar um ambiente de mais competição e transparência no sistema financeiro. "É isso que esperam de nós os cidadãos brasileiros".
Justificando agir em nome da boa governança da instituição, Meirelles evitou fazer comentário sobre qualquer indicador econômico vinculado às expectativas em torno das decisões a serem tomadas na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Meirelles: 'Desafio é reduzir as taxas bancárias'
O Sistema Financeiro Brasileiro tem pela frente, nos próximos meses e anos, o grande desafio de encontrar soluções para reduzir o spread bancário (diferença entre o custo de captação do dinheiro e a taxa de juros cobrada sobre os empréstimos). A afirmação em tom de alerta sobre o papel a ser desempenhado pelas instituições na ampliação do acesso da sociedade aos serviços bancários foi feita nesta segunda-feira pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. (Leia Mais)
Segunda, 17 de Novembro de 2003 às 12:22, por: CdB