Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles afirmou, nesta segunda-feira, que a discussão eleitoral que tem mobilizado os principais candidatos à Presidência da República, sobre a autonomia do Banco, é legítima.
– Faz parte do debate eleitoral, em qualquer país, os dados do Banco Central são de sucesso, reconhecidos internacionalmente – ele afirmou nesta manhã, durante seminário promovido pela revista Exame, na capital paulista.
Em entrevista à radio CBN, no último dia 10, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, reclamou que a taxa de juros no país deveria ter sido reduzida no passado e disse que o "BC não é a Santa Sé".
– O Banco Central não é a Santa Sé. Não sou contra incentivos tributários, mas é preciso um mecanismo que não puna os municípios – rebateu Meirelles.
Serra também lembrou que o Brasil segue com a maior taxa de juros do mundo e defendeu, como alternativa, uma política de médio e longo prazo para evitar a alta da taxa Selic como mecanismo de combate à inflação.
A pré-candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff, respondeu ao adversário conservador na mesma tarde:
– Defendo a autonomia operacional do Banco Central. Acho que relações institucionais têm se pautar pela maior tranquilidade possível, pela serenidade. Sempre tivemos uma relação muito tranquila com o Banco Central, de muito pouca turbulência, de muito pouca confusão.
Candidata do PV, Marina Silva também defendeu a autonomia do Banco e ressaltou que foram os instrumentos da política econômica que ajudaram o país a sair da crise econômica.
– A experiência brasileira mostra que foi acertada a autonomia do BC. É uma autonomia não institucionalizada. A não institucionalização é boa para evitar o que aconteceu na Argentina', afirmou a senadora, lembrando que a inflação atinge principalmente os mais pobres. Ela, no entanto, evitou comentar a recente decisão do BC de aumentar a taxa de juros de 8,75% para 9,50% – afirmou.
Crise europeia
Meirelles, ainda durante o seminário, disse que a autoridade está atenta aos desenvolvimentos da crise de dívida da zona do euro, para ver a reação dos mercados e seus efeitos.
– Estamos observando com muita atenção para ver o desenvolvimento desse processo. Estamos aguardando para ver quais serão os efeitos de curto e de médio prazos – afirmou.
Ele acrescentou que o Brasil tem aumentado substancialmente seu potencial de crescimento nos últimos anos e que agora deve manter a responsabilidade macroeconômica. Meirelles disse que os desafios para que o Brasil possa crescer a taxas mais elevadas de forma sustentável no futuro incluem melhorar a infraestrutura e o ambiente de negócios.