Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Megaesquema espião dos EUA é um caso para ser resolvido na ONU

Quinta, 13 de Junho de 2013 às 09:14, por: CdB
snowden1.jpg
Snowden denunciou a rede de espionagem dos EUA na China e em Hong Kong
A Organização das Nações Unidas é o patamar para onde deverão seguir os questionamentos acerca do megaesquema espião dos Estados Unidos, denunciado por um dos ex-agentes da agência nacional de segurança daquele país (NSA, na sigla em inglês). Edward Snowden, abrigado em Hong Kong, segue disposto a assegurar as provas necessárias para que um tribunal internacional, com base na ONU, possa determinar a amplitude e o alcance das escutas praticadas pelo governo do presidente Barack Obama, em toda a internet. A amplitude global do sistema atinge, indiscriminadamente, todos os países onde haja um computador da marca Windows ou com acesso aos provedores mundiais de banda larga. Um sistema especialmente desenvolvido pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) permite que os Estados Unidos acessem aos computadores de milhares de instituições civis e de cidadãos em países comunistas, como a China, ou aliados, como é o caso de Hong Kong, onde Snowden refugia-se. O serviço de espionagem está ativo desde 2009, segundo afirmou Snowden, em uma nova entrevista, nesta quinta-feira, ao jornal em língua inglesa South China Morning Post. Snowden afirmou, ainda, que um dos alvos é a Universidade Chinesa de Hong Kong, mas também faz referência a "responsáveis do Estado", "empresas" e "estudantes". O ex-agente da CIA e da NSA ressalta que sua motivação para revelar tais informações é a vontade de desmascarar "a hipocrisia do governo dos Estados Unidos quando alega que não tem como alvos infra-estruturas civis". – Ouvi de uma fonte segura que o governo dos Estados Unidos tenta forçar o governo de Hong Kong a me extraditar antes que o governo local tenha conhecimento disto (das operações de vigilância da NSA em Hong Kong). O governo dos Estados Unidos fará tudo para me impedir de falar disto publicamente, e é por isso que estão a tentar forçar a minha extradição – disse Snowden ao South China Morning Post. O diário britânico The Guardian, um dos primeiros a publicar as denúncias de Snowden, cita em sua edição desta quinta-feira um comunicado assinado pela Universidade Chinesa de Hong Kong, no qual afirma não ter sido detectada qualquer tentativa de intrusão em seus servidores. As autoridades locais também não parecem estar particularmente incomodadas com as declarações de Edward Snowden. – Acho que isto não muda nada, já que ele não disse muitas coisas e não revelou nenhum pormenor – disse Charles Mok, conselheiro do Parlamento e antigo presidente da associação de provedores de acesso à Internet de Hong Kong. Edward Snowden chegou a Hong Kong no dia 20 de Maio, e demonstrou interesse em permanecer na ilha por "acreditar no sistema de Justiça desta região administrativa especial da China", afirmou. O país, embora tenha pertencido ao protetorado britânico, hoje está sob a tutela de Pequim, mas com total independência em questões de Justiça, liberdade de imprensa e educação. Analistas citados pelo jornal em língua inglesa China Daily consideram que as recentes revelações sobre o programa de vigilância dos Estados Unidos podem travar o desenvolvimento das relações sino-americanas, principalmente depois de Washington ter repetido as acusações de que Pequim mantém um programa de ciberespionagem. – Há meses que Washington acusa a China de ciberespionagem, mas afinal a maior ameaça à liberdade individual e à privacidade nos Estados Unidos é o poder desenfreado do governo – afirma Li Haidong, especialista em estudos norte-americanos na Universidade de Relações Externas da China. Rede de corrupção Um fator relevante a ser observado pela ONU, segundo especialistas, é o risco de uma rede de corrupção e de interesses escusos ligados às empresas norte-americanas acompanhar o desenvolvimento do megaesquema de espionagem dos EUA. As informações captadas junto a executivos de corporações que mantém negócios com os Estados Unidos seriam alvo de negociações fraudulentas e chantagens, segundo suspeitam. Não bastassem as suspeitas que as revelações de Snowden levantam, o ex-candidato à Presidência dos EUA Ron Paul elevou o tom contra o sistema espião. Em nota, divulgada na véspera, Paul afirma que "a Quarta Emenda (da Constituição) é clara em garantir a segurança das pessoas, dos lares, dos documentos com todos os efeitos e o peso da Lei; além das garantias que pesam sobre as causas". "Hoje, o governo opera em um grande esquema secreto, em busca de saber tudo sobre todos e sobre suas vidas privadas, sem se importar com a causa provável e sem qualquer garantia. Temos que ser gratos, individualmente, a Edward Snowden e Glenn Greenwald (que denunciou um esquema de fraudes na Guerra do Vietnã), que viram e denunciaram as injustiças cometidas por nosso próprio governo. Eles prestaram um grande serviço ao povo (norte-)americano ao expor a verdade", concluiu.
Tags:
Edições digital e impressa