Ainda sem ter recebido sua parte da herança do milionário Renné Senna, que ganhou R$ 52 milhões na Mega-Sena em 2005, a filha dele, Renata Senna, de 25 anos, vai se candidatar a administradora dos bens do pai até o julgamento de Adriana Almeida.
Os advogados da viúva, no entanto, querem que seja escolhida uma pessoa que não tenha relação prévia com nenhum dos beneficiados no testamento.
— Por lei, Renata é a primeira a poder se candidatar a ser inventariante. Adriana não tem declaração de união estável com Renné, ainda mais que veio a público que ela o traiu — explica o advogado de Renata Senna, Marcos Rangoni, que já havia dado entrada no pedido em janeiro, pouco depois do assassinato do milionário, que morreu a tiros em Rio Bonito, na Baixada Litorânea do Rio. — Naquela época a ação criminal estava mais influente. Agora vou dar entrada para que se volte a analisar o pedido anterior — diz ele.
A decisão dos advogados de Renata, que devem dar entrada com o pedido na 1ª Vara Cível de Rio Bonito, se deu depois que o desembargador Joaquim Alves de Brito,da 9ª Câmara Cível, vetou a nomeação do advogado Sérgio Mazzilo para a função.
Para os advogados de Adriana, um novo nome que não tenha relação prévia com nenhum dos interessados na causa é o ideal. — A Renata, por ter interesse, não seria viável. Estávamos satisfeitos com o nome do Mazzilo, mas se não pode ser ele que seja outra pessoa não envolvida ou o Marcos Ourivio, que é o testamenteiro, designado por Renné ainda em vida — defende o advogado Rodrigo Mendonça, que já entrou na justiça com o pedido de declaração de união estável da viúva com Renné.
Caso pode se arrastar por anos
Seis meses de prisão e ainda não há data marcada para o julgamento de Adriana Almeida, viúva do milionário da Mega-Sena, assassinado no dia 7 de janeiro, em Rio Bonito, Baixada Litorânea do Rio. Além dela, outras cinco pessoas estão presas acusadas de envolvimento na morte de Renné Senna.
O inquérito policial foi concluído no fim de março e, de lá para cá, mais de 30 testemunhas foram ouvidas pela Justiça. O processo, agora com a Defensoria Pública, deverá ser enviado ao Ministério Público no início de agosto, com o prazo de cinco dias para as alegações finais. Depois será a vez de as defesas dos seis réus terem mais cinco dias para suas alegações finais.
A partir de então, a juíza Renata Gil, da 1ª Vara Criminal de Rio Bonito, poderá, em 48 horas, decidir se há necessidade de requerer novas diligências para o processo e, só aí, resolve se o caso vai a Júri Popular ou não. O passo a passo ainda pode durar alguns meses, mas a juíza pretende que o caso seja encerrado ainda este ano.
— Mas isso pode durar até anos, se houver recursos nos tribunais superiores — conta Adelson Rodrigues, advogado de Adriana, que lembra ainda que, se condenada, o tempo de prisão preventiva é abatido da pena. — Nesse caso há muito tititi, burburinho, mas as pessoas que viram quem matou não sabem dizer quem foi e não conseguiram identificar — defende ele.