Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Medo do terror pode colocar envio de dinheiro na clandestinidade

Quarta, 23 de Fevereiro de 2005 às 17:46, por: CdB

A tentativa dos Estados Unidos de regularizar empresas que transferem dinheiro ameaça mandar bilhões de dólares para o mercado negro, terreno fértil para financiar o terrorismo, disseram fontes da indústria e oficiais.

O perigo está na crescente relutância dos bancos em cuidar das contas das chamadas empresas de envio de dinheiro, que transferem quantias estimadas em 28 bilhões de dólares ao ano. Os órgãos reguladores classificam as empresas, em sua maioria pequenas, de um "alto risco" de lavagem de dinheiro e de financiamento do terrorismo, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Sem os bancos para transferir os fundos, as empresas terão de fechar ou então movimentar o dinheiro ilegalmente, através de portadores ou de empresas não-autorizadas.

"Estamos dando tiros nos dois pés ... Não sobrou nenhum dedo", disse Michael McDonald, agente especial aposentado da divisão de investigação criminal do Serviço Interno de Renda.

"Isso vai aumentar substancialmente o risco de financiamento do terrorismo", disse McDonald.

O deputado Gwen Moore, democrata de Wisconsin, disse que, com a redução dos bancos que trabalham com essas empresas, "há um potencial maior para os fundos escorrerem pelas brechas de um sistema sub-regulado para as mãos dos terroristas".

Isak Warsame, presidente da Dahabshil Inc., com sede em Ohio, que diz enviar entre 80 milhões e 90 milhões de dólares ao ano para a Somália, disse que "há tantas empresas desse tipo regulares quanto clandestinas. Se surgir esse tipo de situação, todas elas ou a maioria vai para a clandestinidade".

Os responsáveis pela regulamentação estão tentando abordar esses riscos. "As empresas de transferência de dinheiro têm um papel muito importante na economia dos EUA, e certamente não queremos jogar todo o negócio na clandestinidade", disse Daniel Stipano, do Escritório da Controladoria da Moeda, que regula a atividade bancária.

Para ser legalizadas, as empresas precisam se registrar no Tesouro e cumprir regras rígidas impostas depois dos ataques de 11 de setembro. Em dezembro, havia 22.350 empresas desse tipo registradas no Tesouro.

Elas são frequentemente utilizadas por imigrantes para mandar pequenas quantias para seus países de origem.

O deputado democrata por Nova York Charles Rangel pediu este mês ao secretário do Tesouro, John Snow, que avalie o problema. A pedido de Snow, haverá uma reunião entre órgãos reguladores e representantes da indústria no dia 8 de março sobre a questão.

"Muitas pequenas empresas vão fechar e pais e mães de família vão perder o emprego se essa situação continuar", disse Juan Tejeda, da empresa Envios de Valores La Nacional, cujas contas estão sendo encerradas por vários bancos.

A Reuters viu várias cartas enviadas por bancos às empresas, advertindo sobre o fechamento de contas em virtude de exigências regulatórias ou porque não é de interesse da instituição mantê-las.

"Meus membros estão se sentindo no corredor da morte", disse David Landsman, chefe da associação que reúne as empresas de transferência de fundos.

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