Rio de Janeiro, 10 de Janeiro de 2026

Medo de Dirceu voltar à ação política leva procuradores a repisar denúncia

Sem fatos novos, promotores da Lava Jato convocam coletiva de imprensa para falar mal de José Dirceu e pressionar o Supremo

Terça, 02 de Maio de 2017 às 12:16, por: CdB

Sem fatos novos, promotores da Lava Jato convocam coletiva de imprensa para falar mal de José Dirceu

 

Por Redação - de Curitiba

 

Figura emblemática para o Partido dos Trabalhadores (PT) e parcela da esquerda brasileira, o ex-ministro José Dirceu foi denunciado, mais uma vez, pela força-tarefa da Operação Lava Jato. Nenhum fato novo foi adicionado à denúncia, realizada em uma coletiva nacional de imprensa, convocada para a manhã desta terça-feira. Justamente o dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julga um pedido de libertação do líder petista.

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José Dirceu foi condenado a 23 anos de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato

Os promotores, no entanto, não expediram nenhum novo pedido de prisão para Dirceu. Mas reforçaram que “ele deve permanecer preso”, disse o procurador Deltan Dallagnol.

'Coincidência'

Advogado do ex-ministro, Roberto Podval estranhou a ‘coincidência’.

— É bem estranho que, no dia do julgamento do habeas corpus, depois de dois anos que Zé Dirceu está preso, o MPF resolva apresentar nova denúncia. Isso me faz pensar que estão se utilizando do direito de denunciar para fazer valer sua vontade — comentou Podval com jornalistas.

Dallagnol, coordenador Lava Jato, chegou a admitir que, em razão da análise do habeas corpus pelo STF, "houve a precipitação" da apresentação da nova denúncia, que segundo ele, já estava pronta. Mas Dallagnol, ainda assim, considerou a denúncia oportuna.

Abuso de autoridade

— Evidentemente, esta acusação já estava sendo amadurecida. É uma acusação que estava para ser oferecida e, em razão da análise de um habeas corpus, teve uma precipitação no objetivo de oferecer novos fatos ao STF — admitiu.

A admissão quanto ao momento de apresentação da denúncia, para o advogado de Dirceu, no entanto, configura “abuso de autoridade”.

— O MPF tem uma função importante demais para se permitir a tais atitudes. Assim, acabam perdendo a seriedade. Depois reclamam da lei de abuso de autoridade. As partes em um processo precisam atuar com ética e seriedade — repreendeu.

Liberdade provisória

Dirceu está preso desde agosto de 2015 e a terceira denúncia, apresentada nesta manhã, ocorre uma semana após o Supremo Tribunal Federal ter iniciado o julgamento do pedido de liberdade provisória do petista e no mesmo dia em que a decisão do Supremo será tomada.

De acordo com o MPF, o ex-ministro recebeu propina antes, durante e depois do julgamento da Ação Penal 470, o chamado 'mensalão': uma quantia de cerca de R$ 2,4 milhões de empreiteiras. A pena de Dirceu neste julgamento, no entanto, foi anulada.

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