O medo de ataques terroristas tem piorado as condições para pessoas que buscam asilo em diversos países, segundo o alto comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres.
Em entrevista para marcar o Dia Mundial dos Refugiados, Guterres disse que algumas nações restringiram tanto a imigração que refugiados estão sendo excluídos.
- Há países nos quais, especialmente depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, há uma crescente preocupação com refugiados, e eu acho que é importante dizer e repetir que eles não são terroristas, eles são as primeiras vítimas do terror - disse Guterres.
- Em outros países, no entanto, estamos vendo uma abordagem extremamente generosa na proteção oferecida aos refugiados - afirmou.
Guterres citou a Suécia e a Holanda como exemplo positivos em relação aos refugiados iraquianos.
Aumento
Depois de permanecer cinco anos em queda, o número de refugiados no mundo voltou a aumentar no ano passado, principalmente devido à violência no Iraque e na Somália.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) estima que cerca de 44 milhões de pessoas em todo o mundo deixaram suas casas para fugir da violência ou de perseguições.
Enquanto muitas tiveram de abandonar seus países, outras foram obrigadas a se deslocar internamente.
Somente a guerra no Iraque foi responsável pelo deslocamento de mais de 4 milhões de pessoas, sendo que desse total, 2 milhões abandonaram o país.
- A comunidade internacional não está prestando atenção e não está oferecendo o apoio necessário - disse Guterres.
Apesar das estatísticas preocupantes, no entanto, a ONU acredita que há razões para otimismo.
Milhões de refugiados voltaram para casa em países como Sudão, Afeganistão e República Democrática do Congo.
Guterres está no sul do Sudão, onde acompanha os desafios enfrentados pelos refugiados que estão retornando para suas casas depois de muitos anos de conflito.
Segundo o comissário, pessoas estão voltando para casa vindas de todos os países vizinhos.
- Elas demonstram muita coragem e grande comprometimento para construir um novo país - conclui.