Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Medo de quebradeira geral toma conta dos mercados e Bovespa despenca

Segunda, 29 de Setembro de 2008 às 10:04, por: CdB

O medo de insolvência no sistema financeiro internacional castigava os mercados acionários nesta segunda-feira, movimento acompanhado pelo Bolsa de Valores de São Paulo, que testava novas mínimas em 17 meses. Às 11h47, o Ibovespa, índice com as 66 ações mais negociadas da bolsa paulista, assinalava baixa de 5,83%, para 47.822 pontos. O giro financeiro do pregão era de R$ 1,8 bilhão.

O acordo anunciado para aprovação legislativa do pacote multibilionário de ajuda a grandes bancos dos Estados Unidos, evento que era aguardado até sexta-feira como a tábua da salvação do sistema financeiro internacional, rapidamente ficou para segundo plano, com os sinais de contágio da crise na Europa. De um lado, os governos belga, holandês e de Luxemburgo resgataram o grupo Fortis, um dos 20 principais bancos da Europa. De outro, o Santander informou que irá comprar a unidade de varejo da concessora de empréstimos britânica Bradford & Bingley e o governo britânico anunciou a nacionalização da carteira de hipotecas do banco.

– O medo de quebradeira de bancos na Europa anulou os efeitos do pacote nos Estados Unidos – disse Carlos Alberto Ribeiro, diretor da Novação Distribuidora.

A notícia da compra do Wachovia pelo Citi, nos Estados Unidos, e de uma ação coordenada de bancos centrais para prover liquidez aos mercados foram o suficiente apenas para estacar a queda livre das bolsas no mundo todo. Na Bovespa, ações de maior liquidez figuravam entre as mais castigadas. Vale despencava 7,19%, valendo R$ 32,03. BM&F Bovespa tinha performance ainda pior, desabando quase 10%, para R$ 8,20.

Nem mesmo Petrobras, que na sexta-feira à noite anunciou a descoberta de uma nova reserva de óleo na bacia de Santos, escapava ao movimento, naufragando 6,32%, a R$ 33,19, seguindo a orientação no mercado de petróleo, cujo barril testava o piso dos US$ 100. Uma das piores quedas do dia era Companhia Siderúrgica Nacional, com um mergulho de 8,18%, a R$ 40,40.

Depois de Sadia e Aracruz terem anunciado na última quinta-feira que tiveram perdas com operações de derivativos, o mercado passava a comentar sobre a possibilidade de a CSN ser a próxima a anunciar o mesmo tipo de prejuízo. Na sexta-feira, a siderúrgica havia anunciado que iria se pronunciar a respeito, mas não o fez. Consultada nesta segunda-feira, a companhia informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que deve enviar comunicado sobre o assunto até o final do dia.

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