Medina comemora o título inédito para o surf brasileiro
Paulista, 20 anos, primeiro brasileiro a se sagrar campeão mundial de surfe, Gabriel Medina garantiu o título na praia de Pipeline, no Havaí, ao ver o principal rival, o australiano Mick Fanning, ser eliminado na quinta fase por Alejo Muniz, argentino naturalizado brasileiro. Medina comemorava com os amigos e familiares, neste sábado, o título inédito.
– Estou chocado. O Brasil está em festa – disse Medina.
Até aquele momento, o melhor resultado do país era o terceiro lugar de Victor Ribas, em 1999. Na final da etapa, Medina acabou derrotado pelo australiano Julian Wilson.
O brasileiro ficou à frente de surfistas já consagrados, como Fanning, 33, tricampeão mundial, e o americano Kelly Slater, 42, que ostenta 11 títulos. Slater chegou a Pipeline com chance de ser campeão, mas a passagem de Medina da terceira para a quarta fase, também na sexta-feira, tirou-o da disputa.
Coincidência ou não, Medina, grande revelação dos últimos tempos no surfe, trilha um caminho parecido ao de Slater, considerado uma lenda viva na modalidade. Assim como o norte-americano em 1992, o paulista de São Sebastião ganha o seu primeiro título mundial com 20 anos. Nenhum outro surfista na história conseguiu este feito. E bem como Slater, Medina é campeão em sua quarta temporada na elite mundial do esporte.
O ano do brasileiro é ainda mais impressionante do que o de Slater em 1992, quando o norte-americano foi campeão com duas vitórias ao longo da temporada. Neste ano, o brasileiro fechou a sua participação no Mundial com triunfos na Austrália, Fiji e Taiti.
Dono de uma habilidade incomum, Medina entrou no circuito com 14 anos, na divisão de acesso. Com 17, já comemorava uma vitória no Mundial.
Com resultados excepcionais, ganhou o respeito de Slater, que definiu o sucesso do brasileiro como "assustador", e de Fanning, que afirmou não ver "nada além de bom" para o futuro do jovem campeão. Com o título, conquistou agora o mundo todo.
Vitória inédita
Gabriel começou o ano com o pé direito - literalmente, já que ele surfa com esse pé à frente da prancha. Venceu a primeira etapa do Circuito Mundial, na Gold Coast, Austrália. O primeiro brasileiro a vencer nessas ondas australianas. Sinal de uma bela e inédita história que estava sendo escrita a partir dali.
Nas três etapas seguintes - Bells Beach, Margaret River e Rio de Janeiro - ficou sem vencer, mas ainda manteve resultados consistentes. Só perdeu a liderança do ranking após a etapa brasileira. Ninguém precisava se preocupar, porque ele estava prestes a vestir a lycra amarela (utilizada nas baterias apenas pelo número um do ranking) novamente.
– Ainda há muita evolução que o surfe brasileiro pode alcançar, nos próximos anos. Se o Brasil, agora, tem finalmente um campeão mundial, é porque muita gente se esforçou visando esse objetivo, inclusive Gabriel Medina – afirmou o veterano surfista Renan Rocha, um dos precursores das competições bem sucedidas do esporte, no Brasil.
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