A greve dos cirurgiões cardiovasculares no Ceará parece longe do fim. Os médicos informaram nesta quarta-feira, após reunião no Ministério da Saúde, que só voltam ao trabalho com a intervenção impositiva do Ministério Público. Também participaram da reunião parlamentares do estado.
— Se o Ministério Público não nos obrigar de forma imperiosa a voltar a trabalhar, vamos continuar paralisados, já que não houve aceno do governo federal em reajustar a tabela [do Sistema Único de Saúde] —, disse o diretor da Cooperativa de Cirurgiões Cardiovasculares do Ceará, Haroldo Brasil.
Os cirurgiões pedem a revisão dos valores pagos pelos procedimentos médicos remunerados pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Eles querem um reajuste de 350% nos valores pagos. Atualmente, uma cirurgia cardíaca custa R$ 83, valor que, segundo os médicos, não tem reajuste há mais de 12 anos.
O Ministério da Saúde prometeu estudar o aumento do valor repassado a todos estados para os próximos quatro anos, que poderá ser aplicado nos procedimentos de alta complexidade como as cirurgias cardiovasculares. Mas para reajustar o valor dos procedimentos, o ministério conta com a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) - responsável por R$ 15 bilhões no orçamento da Saúde -, a ampliação do orçamento federal e a aprovação da Emenda Constitucional n° 29 (define os percentuais da arrecadação de impostos que devem ser destinados à saúde), conhecida como PEC da Saúde, segundo a assessoria de imprensa do ministério.
Para os médicos em greve, a promessa não é suficiente.
— Entre estudar e acontecer efetivamente os repasses existe uma grande distância —, ressaltou o diretor da cooperativa de cirurgiões cardiovasculares.
Ainda de acordo com Haroldo Brasil, não há vantagens em se atender pelo SUS, já que o profissional não tem vínculo trabalhista e recebe por cirurgia. Em greve há mais de 15 dias, os cirurgiões cardiovasculares do Ceará atendem em quatro hospitais particulares credenciados ao SUS.
Após uma reunião com o governo estadual, no começo da semana, voltaram a atender casos de emergência para evitar a superlotação dos hospitais públicos – que não estão em greve. No início da semana, o Ministério da Saúde anunciou R$ 45 milhões para o Ceará. Mas os cirurgiões entendem que o valor não garante mudanças no atendimento pelo SUS e permitirá, apenas, pequenos reajustes.
— O governo estadual estava pleiteando R$ 29 milhões por mês e o ministério [da Saúde] ofereceu R$ 45 milhões para o restante do ano —, destacou Haroldo Brasil.
A Secretaria de Saúde do Ceará informou que o atendimento foi reforçado nos hospitais públicos. O secretário-executivo da secretaria, José Arruda Bastos, anunciou que na próxima sexta-feira encontrará os médicos em greve para tentar um acordo.
Médicos no Ceará dizem que só voltam ao trabalho com intervenção do MP
Quarta, 29 de Agosto de 2007 às 17:15, por: CdB