Rio de Janeiro, 07 de Agosto de 2026

Médicos dos EUA apóiam clonagem humana para pesquisas

Terça, 17 de Junho de 2003 às 16:12, por: CdB

A principal organização médica dos Estados Unidos apoiou nesta terça-feira o uso da clonagem para fins de pesquisa, desde que a técnica não leve ao nascimento de seres humanos. A comitê executivo da Associação Médica Americana aprovou uma resolução que oferece diretrizes para os médicos que dão apoio à clonagem terapêutica e querem participar nas pesquisas com células-tronco. - Trata-se realmente de fornecer orientação aos médicos, à ciência e à ética. Não podemos continuar em silêncio - disse Michael Goldrich, novo presidente da comissão de ética que redigiu a resolução. O grupo, que se reúne nesta semana em Chicago, quis deixar muito clara a diferença entre seu apoio à pesquisa com células-tronco e sua oposição à clonagem que resulte em nascimentos. A clonagem terapêutica consiste em transferir o DNA de um paciente para células embrionárias, a fim de criar uma célula-tronco - a matriz a partir da qual qualquer tecido ou órgão humano pode ser recriado. Já a clonagem com fins reprodutivos acarreta riscos aos quais a maioria dos médicos se opõe. O governo dos EUA não financia pesquisas com células-tronco, e neste ano pela segunda vez a Câmara aprovou a proibição de todas as formas de clonagem humana, inclusive a terapêutica. A legislação ainda não passou no Senado. - Esse é um esforço da Associação Médica Americana para pressionar o governo a reverter a política federal - disse o rabino David Bleich, que leciona bioética na Escola de Direito Cardozo, de Nova York. Atualmente, a Casa Branca admite pesquisas com células-tronco já existentes, mas os cientistas argumentam que elas são inadequadas e muito caras. Os pesquisadores afirmam que, com sua política restritiva, o governo está bloqueando um importante caminho no futuro da medicina. - Os regulamentos que existem hoje estão esmagando a criatividade. E eles se baseiam totalmente na política de aborto, não na ciência - afirmou Jaime Griffo, professor da Escola de Medicina da Universidade de Nova York. Grupos religiosos e contrários ao aborto, além de vários políticos, entendem que cada célula-tronco já contém uma vida humana, e que por isso as experiências com elas devem ser proibidas. - Em termos de política pública, eu não aprovaria isso. Existe uma controvérsia se dada entidade é ou não uma vida humana. Enquanto uma decisão não for tomada, acho que é preciso tratar (as células-tronco) como se fossem seres humanos - disse Bleich.

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