Duas pessoas já morreram e dezenas estão apresentando os mesmos sintomas de uma virose provavelmente relacionada à Salmonela paratify em Santarém, no Oeste do Pará. O número de atendimentos na emergência do Pronto Socorro Municipal com vômito, diarréia e febre triplicou nos últimos dias. Dois óbitos foram confirmados pelo médico Paulo Sérgio Rodrigues Pimentel, infectologista e especialista em doenças tropicais que chefia a Divisão de Vigilância a Saúde (Divisa), da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Segundo ele, mais de dois mil casos foram registrados de janeiro a março. O médico disse que três patologias têm incidência muito grande em Santarém - uma delas é a Salmonela paratify. No ano passado houve um surto dessa doença, devido à falta de esgoto sanitário e tratamento de água. A Divisa acredita que a virose que já matou duas pessoas é provocada pela Salmonela paratify. Segundo o especialista, grande parte dos lençóis freáticos de Santarém está contaminada. Paulo Sérgio explicou que os sintomas da Salmonela são parecidos com os sintomas da dengue, mas ele alerta, trata-se de uma doença tão grave quanto a própria dengue. A Divisa tem mandado amostra de soro para análises em Belém, solicitando o isolamento viral, a sorologia para dengue e alertando também para outras viroses provocadas pelo rotavírus, comum nessa época do ano. "Estamos atuando com os agentes comunitários de saúde nos bairros onde a incidência de casos é maior, distribuindo hipoclorito e alertando os moradores. O correto é que os nossos sistemas de abastecimento de água e esgoto fossem mais eficientes, contudo, esse problema está longe de ser solucionado. Se esses serviços não passarem a funcionar 100% nos próximos anos, o município corre o risco de sofrer com um surto de uma epidemia grave e letal", alertou Pimentel.