Cientistas japoneses disseram nesta terça-feira que curaram a diabete de uma paciente ao realizar o primeiro transplante de células pancreáticas de um doador vivo na história.
A paciente, uma mulher de 27 anos, há 12 dependente de insulina, recebeu de sua mãe, de 56 anos, células pancreáticas que produzem insulina, chamadas de ilhotas. A cirurgia foi feita na Universidade de Kyoto, em janeiro. Até agora, esse tipo de transplante só era realizado a partir de doadores mortos.
Shinichi Matsumoto, do Hospital Universitário de Kyoto, disse que a mulher desde então não precisou mais receber insulina.
- Acreditamos que esse transplante entre vivos possa ser uma opção adicional para o tratamento de diabéticos dependentes de insulina - disse ele.
Matsumoto e sua equipe relataram a terapia em carta publicada no site da revista médica The Lancet. Em um comentário sobre o assunto, Stephanie Amiel, do King's College, de Londres, lembrou que, "no Japão, considerações culturais restringem seriamente o uso de doadores cadavéricos."
A entidade Diabetes UK disse que o tratamento é "significativo", mas questionou os riscos envolvidos.
- Há o perigo de que haja dano ao pâncreas do doador e o deixe sob o risco de diabete", afirmou um porta-voz da entidade.
O pâncreas é o órgão que produz a insulina, enzima que regula os níveis de açúcar no sangue. O transplante dessas células do pâncreas a partir de doadores mortos só foi aperfeiçoado em 2000.
Matsumoto disse que as ilhotas de doadores vivos são melhores, porque há mais chances de o transplante funcionar. Além disso, a técnica também pode contornar a escassez de doadores mortos disponíveis para transplantes. É preciso dois ou mais pâncreas de doadores mortos, enquanto meio pâncreas de um vivo basta para o tratamento.
A diabete tipo 1 é a forma mais grave dessa doença, que leva as vítimas a precisarem de injeções constantes de insulina. No caso desses pacientes, as células do pâncreas foram destruídas pelo sistema imunológico. A tipo 1 representa entre 10 e 25 por cento de todos os casos de diabete.
Já a tipo 2, que se desenvolve na idade adulta, é mais comum e menos grave. Pode ser tratada com dieta, exercícios ou medicamentos para estimular a secreção de insulina.
A receptora, que não tinha a diabete tipo 1 auto-imune, será submetida a um acompanhamento de longo prazo. Os médicos acreditam que o transplante pode durar por até cinco anos.
A doença pode provocar insuficiência renal, acidentes vasculares, enfartes, cegueira e lesões neurológicas.