Um grupo de 63 médicos cubanos, os últimos que ainda estavam no Brasil exercendo sua profissão, deixou o país na sexta-feira depois de uma determinação que declarou ser ilegal a prática da medicina sem a revalidação do diploma.
Os médicos, que trabalhavam em uma região do norte do Brasil desde 1997, chegaram em Brasília na madrugada em um avião fretado pelo governo de Tocantins, onde moravam. Havana enviou a Brasília um avião da Cubana de Aviación para levá-los de volta.
O embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Juan Nuñez Mosquera, disse que a medida da Justiça brasileira não causará nenhum "desgaste" entre os governos de Brasil e Cuba, "dois países irmãos com excelente relacionamento", segundo ele.
O diplomata assegurou que Cuba continuará trabalhando em conjunto com o governo brasileiro para a validação dos diplomas de medicina dados em faculdades cubanas.
Atualmente 600 estudantes brasileiros frequentam a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana.
O secretário de Saúde de Tocantins, Gismar Gomes, disse à Reuters que um total de 96 médicos cubanos exerciam a profissão no Estado, e que 33 permanecerão por terem criado vínculos familiares, apesar de não poderem exercer a medicina até legalizarem seus diplomas.
A decisão judicial respondeu a uma ação do Colégio de Medicina de Tocantins, que se opôs à prática da profissão sem diploma homologado, e impôs ao governo estadual uma multa de 96 mil reais para cada dia que os médicos trabalharam, forçando-o a rescindir os contratos.
- Eles atendiam aos pacientes mais pobres. Estavam dispostos a viver em cidades pequenas e se submetiam a uma qualidade de vida mínima. A presença deles conseguiu reduzir a mortalidade infantil e materna - disse Gomes.
Segundo o contrato feito entre o governo cubano e Tocantins, o trabalho de cada médico custa ao Estado 4.500 reais por mês.
Mais de 20 mil médicos cubanos trabalham em 65 países, segundo dados divulgados pelo embaixador Nuñez Mosquera.
- Estamos felizes por voltarmos para Cuba. Lá temos nossa família, nossos amigos, nosso comandante (o presidente Fidel Castro) - disse a médica Yanely antes de subir no avião de fabricação soviética que a levaria para Havana.
Médicos cubanos deixam o Brasil após determinação judicial
Sexta, 15 de Abril de 2005 às 14:12, por: CdB