Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2026

Médicos aprovam substância contra o vício do cigarro

Quem pretende deixar o hábito de fumar está a um passo de contar com uma substância, a vareniclina, para ajudar no combate ao vício. A substância está em fase final de testes e promete bloquear no cérebro a ação da nicotina no organismo. (Leia Mais)

Quarta, 22 de Março de 2006 às 11:36, por: CdB

Quem pretende deixar o hábito de fumar está a um passo de contar com uma substância, a vareniclina, para ajudar no combate ao vício. A substância está em fase final de testes e promete bloquear no cérebro a ação da nicotina no organismo. O medicamento, produzido pelo laboratório Pfizer - mesmo fabricante do Viagra - deve chegar às prateleiras das farmácias norte-americanas no ano que vem, sob o nome comercial de Champix.

Estudo divulgado no encontro anual da Sociedade para a Pesquisa de Nicotina e Tabaco, nesta quarta-feira, no Rio, demonstrou que, além de apresentar reduzir o desejo de fumar, quem usa a substância teve uma redução dos sintomas associados à abstinência do cigarro, como depressão, irritabilidade, frustração e ansiedade.

Segundo a psiquiatra Analice Gigliotti, diretora-médica da Clínica do Fumante da Santa Casa de Misericórdia,  é positivo o ingresso da vareniclina no mercado.

- Vamos ter mais um recurso para tratar os fumantes, especialmente os que estão sem esperanças por já terem experimentado de tudo para largar o vício - disse a médica.

Ela explicou, ainda, que a substância age no organismo ao se ligar aos receptores no cérebro "como uma chave a uma fechadura".

- A vareniclina ocupa justamente o lugar da nicotina na "fechadura", fazendo com que se tenha menos vontade de fumar - disse.

Para o pneumologista Ricardo Meirelles, do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer, a nova substância é promissora, mas não deve ser vista, entretanto, como única arma contra o vício:

- Esse princípio ativo age durante o período do tratamento e alivia o desejo, fazendo com que a pessoa não sinta tanta vontade de fumar. Mas isso acontece num primeiro momento. A abordagem cognitiva, no entanto, feita por um profissional de saúde, ensina o paciente a viver sem cigarro e deixar, de vez o hábito de fumar - concluiu.

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