Policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde Pública (DRCCSP) descobriram e invadiram uma clínica de aborto na Rua do Livramento, na Gamboa, Zona Portuária, na madrugada desta quarta-feira. Segundo a polícia, nove pessoas foram presas, sendo que, entre elas, quatro eram pacientes, além do médico que fazia os procedimentos e o proprietário da clínica, que também foram autuados.
Segundo o delegado Fábio Cardoso, uma denúncia anônima levou a polícia a investigar a clínica. Os policiais fizeram monitoramento do local, checando horários e funcionamento do estabelecimento. Quatro policiais civis - dois homens e duas mulheres - se passaram por clientes para entrar na clínica. Quando os policiais tiveram certeza de que se tratava de uma clínica de aborto, avisaram ao delegado e a polícia invadiu o local.
O médico Carlos Eduardo de Souza Pinto, 39 anos, e quatro assistentes foram presos . De acordo com o delegado, quatro mulheres que haviam feito aborto foram presas. Elas foram encaminhadas à Maternidade Praça 15, no Centro.
Segundo a polícia, o médico e as assistentes serão autuados por crime de aborto praticado em terceiro - cuja pena é de um a quatro anos - e formação de quadrilha. O crime é inafiançável, de acordo com o delegado. As quatro pacientes, por sua vez, irão responder pelo crime de consentimento ao aborto.
Na clínica foram encontradas ainda notas fiscais de material de limpeza e coleta de resíduos em nome da Central Med Clínica Médica Ltda. Segundo o delegado Fábio Cardoso, a clínica cobrava R$ 600 para fazer um aborto num feto de até seis semanas e R$ 2 mil para interromper uma gravidez com mais de oito semanas.
Ainda de acordo com o delegado, a clínica só funcionava à noite, para dificultar a ação da polícia. O estabelecimento contava com um sistema de vigilância com câmeras na entrada e no corredor. No início da madrugada, o proprietário da clínica, Wagner Ferreira da Silva, foi preso e será autuado por crime de aborto praticado em terceiro e formação de quadrilha.