O médico pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, o cardiologista Roberto Kalil, descartou nesta quinta-feira qualquer alteração nas avaliações médicas do presidente relacionadas com o abuso de bebidas alcóolicas e enfatizou que a sua saúde é "boa".
- Como médico dele há pelo menos dez anos, posso dizer que ele é uma pessoa normal e saudável, que acorda todos os dias às 6h da manhã para fazer exercícios e trabalha o dia inteiro - disse Kalil.
Kalil, que é amigo pessoal do presidente, frequenta o Palácio do Alvorada e acompanhou Lula por dez dias em viagem ao Oriente Médio em dezembro, afirmou que nunca notou nenhum "abuso" relacionado ao álcool.
- Eu nunca percebi um abuso de bebida e nunca tive que lidar com esse tipo de problema - afirmou, lembrando que Lula fez seu último check up anual em setembro do ano passado.
O jornal The New York Times publicou uma reportagem recentemente afirmando que o consumo excessivo de álcool de Lula tinha virado uma preocupação nacional. O texto provocou polêmica e despertou a ira do governo, que considerou o artigo calunioso.
O médico, que é ligado ao Instituto do Coração (Incor), descartou que as pressões do mandato possam ter feito o presidente consumir álcool com mais frequência, como sugere a reportagem. Ao contrário, ele acredita que a rotina de Lula está mais saudável atualmente do que antes de se tornar presidente.
- Hoje ele acorda todos os dias para fazer exercício. Antes, isso era mais inconstante - afirmou.
As duas únicas preocupações em relação à saúde de Lula são o excesso de peso e a bursite que castiga seu ombro.
- Ele precisa de exercício e dieta, como qualquer pessoa. Além disso, ele sempre está de bom humor, enfrenta bem as situações. Ele joga futebol, apita jogos, come churrasco, bebe cervejinha. Ele é bem a imagem do brasileiro", afirmou.
Na terça-feira, o presidente Lula mostrou indignação com a reportagem, dizendo a jornalistas que a matéria não merecia "resposta", mas "ação".
Na sequência, o Ministério da Justiça anunciou a revogação do visto temporário do correspondente Larry Rother, autor da matéria, alegando que sua presença no país era "inconveniente".
A medida gerou polêmica negativa para o governo e foi duramente criticada no Brasil e no exterior nesta quarta-feira, sendo interpretada como um ato contra a liberdade de imprensa.