Chefe da equipe médica que monitora o estado de saúde do possível pré-candidato do PMDB à Presidência da República, o médico Abdu Neme reafirmou, na manhã desta segunda-feira, que Anthony Garotinho agüenta mais 24 ou, no máximo, 48 horas sem ingerir alimentos. Seu nível de glicose vem caindo rapidamente e o organismo - por falta de alimentação - tem rejeitado o soro, que poderia hidratá-lo. O médico teme a ocorrência de um problema cardíaco no ex-governador, que tem sentido alterações cardíacas, tonteiras e cãibras. O ex-governador também tem tido problemas gástricos por causa da falta de alimentação. Ele já perdeu 5,9 kg.
Segundo o médico, Garotinho somente deverá comparecer à convenção do PMDB, no próximo domingo, se passar por uma série de testes antes em um hospital, mas ele reluta. Garotinho disse que não se sente abandonado pelo partido e que tem recebido muitas visitas e telefonemas de apoio de parlamentares e dirigentes. Informou ainda que pediu ao presidente da legenda, Michel Temer (SP) que, caso não tenha condições de ir à convenção, dia 13, os votos de seu suplente sejam aceitos.
No final da tarde deste domingo, diante de cerca de 200 militantes, Garotinho reafirmou sua pré-candidatura e disse que não está pensando em encerrar a greve de fome.
- O que vale mais: a vida ou a honra de um homem? - perguntou. Abatido, com barba por fazer e de bermudas, Garotinho fez mais um pronunciamento, intitulado Onde está Ali Babá?, contra o governo federal, as organizações Globo e a revista Veja.
O ex-governador se comparou a Mahatma Gandhi, que fez greve de fome contra a dominação britânica na Índia. Ele comentou que prefere esse tipo de protesto pacífico a ter alguma atitude violenta. Chegou a citar o caso do deputado federal Ronaldo Cunha Lima, que atirou contra um oponente que havia atingido sua honra.
Presença garantida
Garotinho conversou, por telefone nesta segunda-feira com Temer, e confirmou a sua participação na convenção do PMDB. O ex-governador entrou no oitavo dia de greve de fome, que começou domingo.
O protesto é contra "as mentiras que tentam inviabilizar a sua candidatura, feitas, sobretudo, pela Globo e a Veja, com o incentivo do governo Lula. As denúncias foram entregues à OEA por parlamentares brasileiros", diz ele em nota.