O ministro Aloizio Mercadante (da Ciência, Tecnologia e Inovação) publicou, ontem, na Folha de São Paulo, o artigo “As razões do diálogo com os hackers ”. Ele explica porque a sua pasta, em conjunto como o ministério da Defesa, está desenvolvendo um conjunto de políticas públicas para que essa comunidade possa contribuir para o desenvolvimento de novas soluções para a sociedade.
O ministro diferencia bem hackers de crackers – conceitos normalmente confundidos por quem não milita no âmbito da internet livre. Segundo o ministro, crackers são, simplesmente, criminosos comuns. Muitos sequer sabem programar. Usam softwares - que não necessariamente desenvolveram - para obter seus objetivos. Já, os hackers são descritos como “decifradores, desenvolvedores que permitem a construção de novas funcionalidades”.
Em resposta a vários críticos de sua iniciativa de dialogar com a comunidade hacker, Mercadante argumenta que os crimes que hoje são comuns na internet não podem servir de base para se iniciar um processo de cerceamento das liberdades na internet e de criminalização generalizada por episódios localizados.
Movimento libertário e transformador
O ministro ressaltou a importância de seu encontro com a comunidade hacker, em julho, no Fórum Internacional de Software Livre. E descreve o movimento dos hackers éticos como libertário e transformador. É exatamente a genialidade dos chamados hackers éticos que Mercadante pretende ter como aliada do governo.
“A capacidade criativa desses coletivos de desenvolvedores de tecnologia precisa ser reconhecida e incentivada, porque ela pode gerar inovações importantes para o nosso país”, argumenta o ministro. Mas de que forma? Mercadante ressalta que o Estado brasileiro precisa se precaver em relação aos ataques cibernéticos. Por isso mesmo, quer trabalhar com essa comunidade que busca mais transparência e participação na sua relação com o Estado. Seu ministério agora visa “o desenvolvimento de tecnologias que permitirão prevenir, defender ou restabelecer serviços essenciais afetados por ataques dos chamados crackers.”
Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026
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