O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, tentou novamente no domingo se distanciar do impopular presidente George W. Bush, enquanto o democrata Barack Obama se empenhou em estabelecer tal vinculação.
– Compartilhamos uma filosofia comum do Partido Republicano? Claro. Mas já fiquei contra o meu partido, não só contra o presidente Bush, mas outros, e tenho cicatrizes para provar isso – disse McCain à rede NBC, num dia em que fez comícios em Iowa e Ohio.
Em discurso em Denver, Obama aproveitou a declaração do rival para dizer que ele "finalmente nos dá um pouco de conversa franca e admite o fato de que ele e George Bush realmente têm muito em comum."
– Não vamos deixar que George Bush passe a tocha para John McCain – disse Obama a mais de 100 mil seguidores que lotaram um parque no centro de Denver, espalhando-se até as escadarias da Assembléia do Colorado.
Na entrevista à NBC e nos comícios, McCain minimizou as pesquisas que indicam sua derrota na terça-feira da semana que vem. No domingo, completaram-se 41 anos do dia em que o avião de McCain foi abatido no Vietnã e que ele iniciou um período de cinco anos e meio como prisioneiro de guerra.
– Há muito tempo, no dia de hoje, tive uma experiência ruim, e passei algum tempo naquilo que muitos de vocês conhecem como o Hanói Hilton – relatou.
– Lutei por vocês na maior parte da minha vida em lugares onde a derrota significava mais do que voltar ao Senado. Lutarei por vocês, meus amigos – acrescentou.
Já os democratas não perdem uma só oportunidade de associar McCain a Bush, lembrando que como senador ele votou com o governo em 90% das vezes. Com o caixa cheio, Obama lançou uma propaganda de TV em que o "locutor" diz, sobre a imagem de Bush ao lado de McCain: "Ele está sem idéias, alienado e sem tempo".
McCain disse que, embora respeite Bush, discordou dele em várias questões importantes, como no aumento de gastos públicos, na estratégia inicial para o Iraque e no combate ao aquecimento global.
– Durante oito anos, vimos a filosofia Bush-McCain colocar nosso país no rumo errado, e não podemos ter mais quatro anos que se pareçam com os oito últimos. É hora de mudança em Washington, e por isso estou concorrendo a presidente dos Estados Unidos – disse Obama.
Alguns republicanos se queixam de que a campanha de McCain parece saltar de tema em tema, e que isso ameaça não só a vitória na eleição presidencial como também o desempenho na eleição parlamentar.
Mas McCain não se deixa abalar pelas críticas.
– Estamos bem. Reduzimos na semana passada. Ficaremos acordados até tardíssimo na noite da eleição. Vejo intensidade e paixão por aí, então estamos muito competitivos aqui, e estou felicíssimo por onde estamos e orgulhoso da campanha que tenho feito – disse.
Ele reiterou sua confiança na sua candidata a vice, Sarah Palin, cuja indicação inicialmente eletrizou o eleitorado conservador, mas depois acabou recebendo muitas críticas de independentes devido à sua inexperiência política.
– Eu não a defendo, eu a elogio. Ela não precisa de defesa – disse McCain.
McCain reforça tentativa de se distanciar de Bush
Segunda, 27 de Outubro de 2008 às 08:24, por: CdB