O republicano John McCain vai repensar a política dos EUA e de seus aliados no outro lado do Atlântico em relação à Rússia, fazendo disso uma prioridade nos cem primeiros dias de seu eventual governo, segundo um assessor.
Randy Scheunemann, consultor de política externa do candidato, disse que a invasão russa da Geórgia comprova os alertas que McCain fazia sobre a ameaça de Moscou contra seus vizinhos, e que isso torna os governos europeus mais abertos a uma abordagem conjunta com Washington.
- Acho que a primeira prioridade será uma espécie de política transatlântica comum que reconheça a Rússia que existe, não a Rússia idealizada que algumas pessoas esperavam que seria - disse Scheunemann à Reuters, acrescentando que o senador colocaria isso na sua lista de afazeres dos três primeiros meses de governo.
- O que o senador McCain diz que é não dá para manter as coisas como se estivessem normais, e que devemos nos envolver em uma reformulação abrangente e em uma revisão da nossa relação bilateral , e também trabalhar com nossos aliados europeus e conseguir uma política comum - afirmou.
Qualquer governo dos EUA precisa moderar seu comportamento em relação a Moscou porque precisa do apoio russo para controlar os programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte.
Scheunemann disse que o Ocidente pode barrar a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio e expulsá-la do Grupo dos Oito, algo que McCain já propôs várias vezes.
- Temos uma influência. Certamente negar a legitimidade que estar no G8 dá ao regime Medvedev-Putin é um ponto de partida. Isso é tremendamente importante para a Rússia - disse o consultor, referindo-se ao presidente Dmitry Medvedev e ao seu antecessor, Vladimir Putin, hoje primeiro-ministro.
A União Européia também tem dificuldades em criar uma política única nesse assunto porque depende do petróleo e do gás exportados pela Rússia.
Coréia, Irã, Israel
A experiência em política externa é considerada um trunfo de McCain, e esse será o tema do primeiro debate entre ele e o democrata Barack Obama, na sexta-feira.
Scheunemann disse que outras prioridades dos primeiros meses serão as negociações nucleares com a Coréia do Norte, a retomada da Rodada Doha do comércio global e o desenvolvimento das relações com o Paquistão -- além, naturalmente, das guerras do Iraque e Afeganistão.
Sem entrar em detalhes, o assessor disse que McCain considera importante abordar a Coréia do Norte "exatamente na mesma página que nossos aliados democráticos na Coréia do Sul e Japão".
Ele afirmou ainda que, num eventual governo McCain, os EUA não vão criar empecilhos a um diálogo Israel-Síria, que ocorre atualmente sob mediação da Turquia.
- O governo McCain não vai se intrometer em decisões de segurança de Israel, sejam decisões sobre com quem eles se envolvem diplomaticamente ou decisões sobre quem confrontam militarmente - disse Scheunemann.
Ele chamou de "caricatura" a idéia de que o governo McCain seria belicoso, e disse que os EUA devem buscar mais sanções contra o Irã antes de lançar um ataque.
- Com relação ao Irã, ele deixou claro que há muito mais que podemos, precisamos e devemos fazer em termos de sanções financeiras, econômicas, diplomáticas e políticas antes que seja tomada qualquer decisão sobre a força militar - afirmou.