O candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, sobe ao palco da convenção nacional de sua legenda nesta quinta-feira a fim de explicar por que deveria ser eleito para o cargo e "falará diretamente ao povo", segundo um porta-voz. Na véspera, a candidata a vice dele, Sarah Palin, deixou empolgados os ativistas do partido.
Para McCain, 72, o momento representará o ápice de sua carreira até aqui. O candidato, ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, considerado por muitos um elemento incontrolável da legenda e visto pela base conservadora do partido com desconfiança, receberá a tão almejada nomeação para concorrer ao cargo de presidente nas eleições de 4 de novembro.
Em um discurso marcado para ocorrer por volta das 22h30 (23h30 em Brasília), McCain falará sobre seu passado nas fileiras militares e sua longa carreira em cargos públicos, prometerá trabalhar de forma a cooperar com a oposição e traçará um contraste marcado entre seus planos para o futuro dos EUA e os planos de Barack Obama, candidato do Partido Democrata.
Operários remontaram o palanque da convenção para que esse se pareça com uma "arena de teatro", permitindo a McCain atuar em um cenário do tipo encontro público como os que gosta de realizar em seus eventos de campanha.
- John McCain falará diretamente ao povo norte-americano sobre seus planos para reformar Washington, colocar nossa economia de novo nos trilhos e garantir a paz para a próxima geração - afirmou Brian Rogers, porta-voz do republicano.
- Claro que ele está animado, e depois do discurso da governadora Palin na noite passada, temos duas pessoas arrojadas na chapa republicana - afirmou Rogers.
Os democratas discordam. O partido de Obama acusa McCain de oferecer mais do mesmo porque daria continuidade às políticas do atual presidente dos EUA, George W. Bush. Os democratas tentam usar a impopularidade de Bush e a sede dos norte-americanos por mudança como ferramentas para derrotar o candidato republicano.
Palin, a governadora do Alasca escolhida por McCain como sua candidata a vice-presidente, deixou em polvorosa os delegados republicanos ao desferir ataques abertos contra Obama e o parceiro de chapa dele, o senador veterano Joe Biden.
O comitê de campanha do democrata afirmou que os republicanos não conseguiram dizer ainda como McCain e Palin pretendem reaquecer a economia norte-americana, cujos índices atuais de crescimento mostram-se tímidos.
Robert Gibbs, importante assessor de Obama, disse ao canal MSNBC que o discurso de Palin e de outros ao longo da noite de quarta-feira "mostraram-se excessivamente negativos, excessivamente divisivos. E isso soou bastante com o jogo político que nos acostumamos a ver nos últimos oito anos."
O estrategista republicano Vin Weber afirmou que McCain precisa tirar de Obama a vantagem de que goza ao apresentar-se como um catalisador de mudanças. "Ele precisa acabar com a idéia de que ele é o status quo, o candidato do terceiro mandato de Bush", disse.
Debate sobre experiência
As críticas escarnecedoras lançadas por Palin contra Obama e a elite política de Washington deixaram animados os republicanos ávidos por sinais de que a governadora e McCain conseguirão conquistar a Casa Branca.
De forma bem humorada, Palin rebateu as críticas feitas por democratas sobre sua experiência como governadora e ex-prefeita da pequena cidade de Wasilla (Alasca) não ser comparável a de Obama como líder de uma grande campanha presidencial.
- Parece que a prefeita de uma cidadezinha é algo como uma 'organizadora comunitária', exceto pelo fato de que se possui responsabilidades reais - disse, destacando o fato de a carreira de Obama em Chicago ter sido também curta.
Os democratas argumentam que McCain, ao escolher como parceira de chapa uma pessoa relativamente desconhecida e inexperiente, abriu mão de seu argumento sobre Obama ser inexperiente demais para comandar os EUA.
Mas o republicano afirmou estar convencido de que Palin possui a experiência necessária e que, "ao longo do tempo, quando as pessoas compararem os feitos dela com os do senador Obama, vão perceber que os feitos dele são muito modestos".
- Ela é experiente, é talentosa e sabe como liderar - afirmou McCain ao programa "Good Morning America", do canal ABC.
- É isso que os norte-americanos desejam. Eles não querem alguém que tenha necessariamente frequentado Harvard ou qualquer outra universidade de ponta - completou.
Segundo especialistas, Palin, a segunda mulher a ser candidata a vice-presidente dos EUA por um grande partido, significava um acréscimo à chapa republicana, particularmente em vista de sua capacidade de atrair o apoio da base conservadora do partido que, muitas vezes, viu-se em rota de colisão com McCain.