A atleta Maurren Maggi chorou durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, em um hotel de São Paulo, ao confirmar que não ia mesmo aos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. Ela ficou sabendo pouco antes que havia sido suspensa pela Associação Internacional das Federações de Atletismo - Iaaf - devido a um resultado positivo de um exame antidoping realizado no dia 14 de junho, após o Troféu Brasil de Atletismo. Ela alega que usou uma pomada cicatrizante para depilação definitiva, a Novaderm, que contém o clostebol, substância encontrada.
Na quarta-feira surgiu a notícia de que o exame de Maureen havia dado positivo. A Confederação Brasileira de Atletismo comunicou, então, a Iaaf, que apenas hoje confirmou a punição da atleta. Maureen já havia anunciado, antes mesmo da punição, que não iria ao Pan por não ter "condições psicológicas".
Maurren, grande força no salto em distância, teve um resultado positivo para doping no Troféu Brasil, há pouco mais de um mês, depois de usar uma pomada cicatrizante após sessão de depilação definitiva. Visivelmente abatida, ela comentou que vai tomar mais cuidado com os procedimentos no assunto vaidade.
- Queria ficar bem comigo. Sempre que que tem competição tem que ficar se depilando. Mas agora não sei quando vou conseguir me cuidar de novo, mas parece que agora eu vou ter tempo - disse, se referindo ao fato de sofrer uma punição da Iaaf.
Maurren contou ainda que sempre passou pomadas.
- Inclusive no começo do ano, quando tive bicho-de-pé. Mas sei que me descuide um pouco, porque o exame de doping do Troféu Brasil estava escrito para declarar toda a substância ingerida ou injetada, mas não me passou na cabeça que a pomada teria feito isto. Foi um descuido, mas depois disto, vai ser fácil provar minha inocência. Sei que a Iaaf é um dos organismos mais rigorosos possíveis e tenho que aceitar a punição.
A brasileira já participou de outros Pan-Americanos, e foi medalha de ouro no salto em distância nos Jogos de Winnipeg, em 1999. "Trabalho com a Maurren desde 94, e não tenho dúvidas sobre a lisura da postura dela", afirmou o técnico da atleta, Nélio de Moura. O treinador comentou ainda que a atleta chega a ser paranóica quando o assunto é doping.
- Mesmo gripada, ela não toma remédio nem mesmo se não tem prova para disputar. E ela sempre liga para saber se pode tomar tal remédio. Mas é preciso passar da paranóia - falou. A viagem de Maurren estava marcada para esta sexta.
Confira, na íntegra, o comunicado da CBAt:
"A Confederação Brasileira de Atletismo - CBAt - lamenta informar que a Associação Internacional das Federações de Atletismo - Iaaf - comunicou, no dia de hoje, que não foram aceitas as justificativas apresentadas pela atleta MAURREN HIGA MAGGI (Registro 6774) sobre a presença da substância proibida Clostebol , identificada pelo Laboratório credenciado pelo COI/IAAF, no Rio de Janeiro, na sua amostra de urina "A", coletada no dia 14 de junho de 2003, por ocasião do Troféu Brasil de Atletismo.
Em conformidade com as regras internacionais, a CBAt foi comunicada pela IAAF do resultado adverso, em 21 de julho de 2003, solicitando à atleta, no mesmo dia, a apresentação de suas justificativas, que foram recebidas e enviadas à IAAF, em 28 de julho de 2003. A partir da não aceitação da IAAF às explicações, a atleta está provisoriamente suspensa de participar de competições de Atletismo, a contar de 1º de agosto de 2003. O exame da amostra "B" de sua urina, pelo Laboratório do Rio de Janeiro, será realizado em data a ser marcada em comum acordo com a atleta."