Por consenso entre os parlamentares da base aliada e da oposição, o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho, flagrado em fita de vídeo recebendo R$ 3 mil em propina, será o primeiro convocado para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga denúncia de corrpução na estatal. O depoimento de Marinho foi marcado para esta terça-feira. A partir do flagrante do pagamento de propina ao então chefe de Departamento Contratação e Administração de Material dos Correios começaram a surgir as denúncias de corrupção na empresa.
A base do governo conseguiu eleger todos os cargos de direção da CPI. A presidência será ocupada pelo líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), a vice-presidência pelo senador Maguito Vilela (PMDB-GO) e a relatoria pelo deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Para o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), isso não comprometerá as investigações:
- A sociedade quer a investigação, não há hipótese de não traduzirmos este sentimento da sociedade.
Um outro suspeito de participar do esquema é o capitão reformado da Polícia Militar de Minas Gerais e ex-agente do extinto Serviço Nacional de Informação (SNI) até meados dos anos 80, José Santos Fortuna Neves, que representava empresas com negócios ou interesse em disputar licitações nos Correios. Ele está preso desde quinta e irá depor nesta quinta-feira, na Polícia Federal.
Ele deve confirmar o primeiro depoimento dado na semana passada, quando negou envolvimento com a gravação de fita que mostra um suposto esquema de corrupção na empresa. A Polícia Federal quer investigar se Fortuna tentou extorquir o deputado federal Roberto Jefferson usando a fita.
Chinaglia defendeu a convocação de Maurício Marinho em primeiro lugar. O seu argumento é de que o ex-funcionário dos Correios está diretamente envolvido no caso de corrupção como demonstra a fita gravada a mando do empresário brasiliense Arthur Washeck. Na gravação, Marinho detalha um suposto esquema de corrupção que envolveria o PTB e o presidente do partido, Roberto Jefferson.
Para o líder do PFL no Senado, Agripino Maia (RN), o placar apertado que deu a vitória aos governistas - 17 contra 15 votos - foi "um susto" que dará mais força para que haja isenção nas investigações.
- Nós não vamos fazer desta CPI um instrumento de vendita política nem palanque eleitoral. A dureza dos depoimentos a serem feitos será tamanha que as investigações vão adquirir pernas próprias - afirmou o pefelista.
O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que as denúncias de pagamento de mesada a deputados, feitas por Roberto Jefferson, colocou a imagem "da Casa em jogo". Para ele, o Congresso deve ir até o fim nas investigações:
- Se esta comissão prevaricar será um desastre para o Congresso Nacional.