Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Matilde Ribeiro pede desligamento da Secretaria de Igualdade Racial

Sob suspeita de uso irregular do cartão de crédito corporativo, a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, acaba de pedir para deixar o cargo. Antes do anúncio, ela esteve reunida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto. (Leia Mais)

Sexta, 01 de Fevereiro de 2008 às 14:25, por: CdB

Sob suspeita de uso irregular do cartão de crédito corporativo, a ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, acaba de pedir para deixar o cargo. Antes do anúncio, ela esteve reunida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.

— Assumo o erro no uso do cartão. Fatos que me levaram à escolha [de usar o cartão] partiram da necessidade de deslocamento e hospedagem —, disse a ministra.

— Quanto ao uso desse cartão, reitero que se trata de erro administrativo que pode e deve ser corrigido —, afirmou.

No ano passado, Matilde gastou R$ 171 mil no cartão durante viagens de trabalho, com diárias, aluguel de carros, hospedagem, compra em loja livre de taxas de importação em aeroporto.

A ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, disse que não se arrepende pelos gastos feitos com o cartão corporativo. Ela explicou que seguiu orientação de assessores para usar o cartão nas despesas com as viagens oficiais.

— Não estou arrependida. Eu até então estava sendo orientada a usar o cartão como um instrumento para essa agenda de trabalho que eu tenho —, afirmou, na entrevista coletiva em que anunciou seu desligamento da Secretaria.

Ela contou que antes de se reunir, nesta sexta, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, havia exonerado dois assessores diretamente envolvidos no caso: Carlos Eduardo Trindade Santos (subsecretário de Planejamento e Formulação de Políticas) e Antônio da Silva Pinto (assessor de Projetos Especiais).

Segundo Matilde, foi "madura" a conversa que teve com Lula pouco antes de anunciar a saída.

— Reconheci o erro e fui lá com o propósito de pedir desligamento —, acrescentou.

Sobre o gasto de R$ 461,16, em outubro, em uma loja livre de taxas de importação, ela reafirmou que foi um engano e contou ter sido notificada internamente do erro em dezembro. O valor foi devolvido à União em janeiro último, após a volta do recesso.

— Se eu tivesse sido alertada pelo erro antes, eu teria corrigido antes —, disse.

Matilde Ribeiro informou que se coloca à disposição para as tratativas que ainda forem necessárias.

— Estou sendo avaliada a partir dos instrumentos internos, pelos órgãos competentes. O resultado dessa avaliação e dos encaminhamentos eu ainda não tenho. No entanto, uma vez que já apresentei esse conteúdo estou me colocando à disposição do governo para as tratativas necessárias —, disse.

À indagação de jornalistas, se teria havido cobrança mais severa com ela do que se fosse com uma pessoa branca, Matilde  respondeu: “Nós vivemos no mesmo Brasil, um país que ainda enfrenta o preconceito e o racismo, isso se denota em atitudes cotidianas, não tenho mais nada a dizer quanto a isso”.

Com a saída de Matilde Ribeiro, o secretário-adjunto Martvs Antônio Alves das Chagas assume o cargo.

O maior gasto durante as viagens foi para pagar aluguel de carros: 94 dessas operações somaram R$ 118.683,17, para deslocamentos dentro de cidades, regiões metropolitanas e comunidades quilombolas.

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