Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Maternidade universal

O Dia das mães passou e foi precedido do tumulto e do movimento infernal de sempre. Lojas e ruas cheias, comércio aberto noite e dia, domingos e feriados inclusive, tentando captar o consumidor incauto em suas malhas ávidas. As homenageadas mães enfrentaram, como sempre, filas para restaurantes lotados porque nesse dia "elas não devem trabalhar". (Leia Mais)

Quarta, 11 de Maio de 2005 às 17:38, por: CdB

O Dia das mães passou e foi precedido do tumulto e do movimento infernal de sempre. Lojas e ruas cheias, comércio aberto noite e dia, domingos e feriados inclusive, tentando captar o consumidor incauto em suas malhas ávidas. As homenageadas mães enfrentaram, como sempre, filas para restaurantes lotados porque nesse dia "elas não devem trabalhar". 

Garanto que prefeririam dividir o trabalho durante o resto dos dias do ano e trabalhar alegremente no dia a elas dedicado, fazendo uma grande e saborosa refeição para os filhos queridos. Por isso e porque sua grande razão de viver é estar com esses que são frutos amados de suas entranhas, elas encararam com bom humor as filas e as multidões, e fizeram sua comemoração curtindo as glórias da maternidade pelo menos neste dia celebrada.

No entanto, hoje meu desejo é falar de outra maternidade, que não individual, mas corporativa. Não por isso, porém, é menos profunda e admirável. Sua fecundidade pretende alcançar toda a humanidade e mesmo àqueles que não se confessam conscientemente seus filhos, estende a mão e propõe alianças em prol de causas justas e éticas como a paz, o diálogo entre os povos, a harmonia entre as religiões.

Em seu regaço materno filhos de muitas raças e proveniências um dia foram acolhidos e assumidos, sem que lhes fizesse perguntas nem colocasse limites e interditos à sua filiação. Por esses filhos se fez responsável, mãe e mestra, procurando conduzi-los e guiá-los no caminho da Verdade e da Paz. Iniciou-os no mistério da Vida verdadeira, ensinando-lhes a sintaxe da fé, a gramática da esperança e a prática da caridade. Como todas as mães, seu relacionamento com os filhos não foi nem é sempre pacífico.

Há conflitos e dissensões na história de suas relações. Muitos filhos, antes fiéis e concordes, um dia discordaram de posições e ensinamentos seus. Muitas vezes seu discurso soou antigo e ultrapassado aos filhos mais críticos ou mais novos, que lhe disseram este sentimento em alto e bom som.

No entanto, como sempre acontece entre mães e filhos, essas crises em geral são superadas. E os mesmos que muitas vezes foram críticos agudos do comportamento e da palavra materna e que não hesitaram em entrar em confronto aberto com ela, por outro lado não permitiram nem permitem jamais que outros a critiquem e menosprezem. Mesmo no fundo mais profundo do conflito, o amor materno-filial permanece.

Desta mãe de braços sempre abertos, a Igreja, um dia nascemos para a fé e a vida nova em Jesus Cristo. A ela pedimos humildemente o Batismo. E ela nos tomou nos braços e nos mergulhou nas águas revoltas e profundas da paixão e morte de Jesus Cristo e dali nos ergueu para a vida nova, na qual fomos configurados a Ele para sempre. A partir daí, nossa identidade mais profunda passou a ser não nosso sangue, nossa raça, nossa carne e nossa cidade terrestre. Mas sim a pessoa de Jesus Cristo, sua encarnação, vida, paixão, morte e ressurreição.

A Igreja passou a fazer conosco o que fazem as mães: ensinar os primeiros passos na nova vida que iniciamos. Ensinou-nos as palavras de Jesus, ensinou-nos a chamar Deus de Pai. Pôs à nossa disposição a luminosa Palavra consignada na Escritura para guiar nossa vida; ofereceu-nos os sacramentos para nossa confirmação, consolo, reconciliação e alimento. Nutriu-nos com a meditação dos mistérios da fé, o aprofundamento da palavra e a celebração da liturgia. Ensinou-nos a louvar, a rezar, a cantar.

À medida em que íamos crescendo, foi nos ensinando a pedagogia de Deus, caminho para uma vida plena que culmina no amor. E nos foi alfabetizando na linguagem desse amor. Esteve ao nosso lado nos momentos cruciais da nossa vida: nascimento, acesso à comunhão eucarística, envio à missão, casamento, ordenação, doença, morte.

Assim como nos tomou nos braços ainda crianças para marcar-nos indelevelmente com a água batismal e o selo do Espírito Santo, assim também estará ao nosso lado antes de empreend

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