Chegou ao fim, no início da noite desta segunda-feira, a rebelião de presos na Casa de Custódia de Benfica. Após 62 horas de negociações tensas, a ação acabou com uma chacina entre os presos. Os rebelados entregaram as armas e os reféns. Há informações de que, durante a madrugada desta terça-feira, 34 corpos foram retirados da Casa de Custódia de Benfica. Na manhã desta terça o governo do Estado afirmou que 30 pessoas foram mortas. As vítimas seriam integrantes das facções ADA (Amigo dos Amigos) e TC (Terceiro Comando), rivais do CV (Comando Vermelho), que teria liderado o motim.. A PM continua cercando a Casa de Custódia de Benfica. Vários rabecões deixaram o local durante a madrugada, dois deles com capacidade para transportar 23 corpos.
O deputado Geraldo Moreira (PMDB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, disse que entrou na cadeia na noite desta segunda-feira e contou 28 corpos de presos. Bombeiros afirmaram terem visto mais de 40. Porém, o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, disse no final da noite de segunda que o número de mortos ainda não tinha sido averiguado.
Parentes de presos permaneceram na porta da unidade em busca de notícias. A assessoria da Secretaria de Segurança Pública, que centraliza as informações, não autorizou ninguém a falar em nome do governo.
Após se renderem, foram apreendidas com os rebelados duas pistolas, duas escopetas e quatro revólveres, tomados dos vigilantes. Quatro reféns haviam sido libertados no fim da tarde. Os outros foram soltos no domingo e na manhã da segunda-feira. O Batalhão de Operações Especiais (BOPE) entrou na casa de custódia para uma vistoria no local.
A principal exigência dos presos amotinados para pôr fim à rebelião, formulada à tarde, com a presença do pastor Marcos Pereira, era a transferência de 179 detentos de uma facção rival. Os presos reconhecem que existem outros mortos no interior da cadeia.
Os dois reféns libertados na tarde desta segunda-feira foram atendidos numa ambulância do lado de fora da casa de custódia. Eles tiveram que ser medicados com soro, já estava há dois dias sem comer ou beber água.
A rebelião começou por volta das 6h de sábado, quando a unidade foi atacada por bandidos fortemente armados. Pelo menos 14 presos fugiram e três foram resgatados em uma favela nas redondezas. Além de atirar contra os policiais nas guaritas, o bando jogou um explosivo que deformou o portão principal, por baixo do qual os detentos saíram. Presos que não conseguiram fugir iniciaram a rebelião, tomando como reféns 26 pessoas, entre agentes penitenciários e policiais reformados que integram uma cooperativa de vigilância. Eles queimaram colchões e depredaram o prédio, impedindo inclusive a ação dos bombeiros em tentar apagar o fogo.
O deputado Geraldo Moreira, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, divulgou, os nomes dos 15 detentos feridos com queimaduras e a balas durante a rebelião: Sandro Luis Campos, Valter Alves Pereira, Bruno de Brito Eduardo, Paulo César Souza Farias, Leandro Silva Araújo, Wilson da Costa Araújo, Isael Santos Lara, Roberto Mendanha, Nadjo Borges Amorim, Alessandro Macedo Costa, Leandro Martins Silva, Getúlio Carvalho Júnior, Carlos Alberto Marques, Vinicius Oliveira Azevedo e Oséas Alves Araújo.