Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2026

Massacre de Eldorado dos Carajás completa 11 anos

Há exatos 11 anos, 19 agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) morreram e 69 ficaram feridos em um confronto no sul do Pará com a Polícia Militar, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás. Desde o último sábado, o MST realiza uma série de protestos em todo o país para lembrar a data, cobrar a punição dos envolvidos e reivindicar avanços na reforma agrária. (Leia Mais)

Terça, 17 de Abril de 2007 às 08:38, por: CdB

Há exatos 11 anos, 19 agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) morreram e 69 ficaram feridos em um confronto no sul do Pará com a Polícia Militar, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Eldorado dos Carajás.

Desde o último sábado, o MST realiza uma série de protestos em todo o país para lembrar a data, cobrar a punição dos envolvidos e reivindicar avanços na reforma agrária.

Nesta terça-feira, no Pará, representantes do movimento se reúnem com a governadora do estado, Ana Júlia Carepa, e apresentam uma série de reivindicações na área da saúde, educação, estradas e, principalmente, reforma agrária. Os trabalhadores sem terra também promovem um ato público, na curva do "S", em Eldorado dos Carajás, em memória dos mortos no massacre.

Em Brasília, cerca de 800 trabalhadores ligados ao movimento ocuparam, nesta segunda, o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). As principais reivindicações são o assentamento de 1,8 mil famílias acampadas no Distrito Federal há mais de quatro anos e a liberação de créditos e recursos para o programa de habitação nos assentamentos.

No Maranhão, os movimentos sociais ocuparam com mil pessoas a ponte sobre o Rio Tocantins, no município de Estreito, em protesto contra a instalação da Usina Hidrelétrica de Estreito. Segundo o MST, com a usina, 8 mil pessoas serão desalojadas.

Em Santa Catarina, no município de Papanduva, 500 famílias ocuparam, no último domingo, uma área de 10,5 mil hectares do Exército Brasileiro para pedir a criação de um assentamento no local. Depois de um acordo, os trabalhadores sem terra desocuparam a área na segunda-feira.

Em Pernambuco, mais de 200 famílias ocuparam a Fazenda Rafael, de 2 mil hectares, no município de Ibimirim. Outras 200 famílias ocuparam a Fazenda Cajueiro Escuro, do deputado estadual Ricardo Teobaldo (PMDB-PE).

No domingo, 100 famílias ocuparam a fazenda Pitombeiras, no município de Vertente, e outras 100, a Fazenda Japinan, no município de Belém do São Francisco. No sábado, mais de 2 mil famílias ocuparam a área do Pontal Sul, em Petrolina.

Mais de 600 famílias ligadas ao MST ocuparam, em Goiás, três fazendas na manhã desta segunda para pedir rapidez na reforma agrária e o assentamento imediato de 2,5 mil famílias acampadas. Já no Espírito Santo, cerca de 40 famílias ocuparam uma área próxima à fazenda improdutiva do Galho, de 500 hectares, no município de Guaçuí.

Uma vigília, com a participação de aproximadamente 200 pessoas, marcou o protesto no Mato Grosso pelo Massacre de Eldorado dos Carajás. No Rio de Janeiro, o MST ocupa duas áreas para pedir o assentamento imediato de 1,2 mil famílias acampadas.

Na Bahia, mais de 5 mil trabalhadores chegaram à capital e estão acampados em uma estação de metrô no centro da cidade. Na Paraíba, cerca de 600 famílias ocuparam áreas do Vale do Paincó relembrando o Massacre de Eldorado e protestando contra a monocultura no estado.

O balanço dos protestos do MST em todo o país foi divulgado pela assessoria de comunicação do movimento.

Tags:
Edições digital e impressa