Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Máscaras Nacionais: O Preconceito Racial

Quinta, 16 de Junho de 2011 às 16:10, por: CdB

Por Ruivan Gomes 16/06/2011 às 21:48

É comum ouvir algumas pessoas dizerem diante de atos de discriminação racial fora no Brasil a seguinte expressão ?Ainda bem que no Brasil isso não acontece.? Como se estivesse falando de erupções vulcânicas[1].

O exemplo que na maioria das vezes é utilizado para fundamentar [2] essa tese é colocar a situação do Brasil paralela a dos Estados Unidos.

O que faz o Estados Unidos ser visto como maior evidência de preconceito racial é de que até meados dos anos 1960 o país apresentava leis que praticavam diretamente a segregação[3] racial tais como a proibição a determinadas atividades profissionais que negros não poderiam exercer e até a exclusão do ensino.

Até hoje são normais os bairros serem divididos por etnias como os de negros, latinos, europeus, etc. Dando a idéia de Guetos [4] bem no país que mais fala em democracia no mundo.

A mídia geralmente passa a idéia de que o Brasil é um país sem preconceito racial. Geralmente com slogans ?Brasil é igual coração de mãe?, ?Um país acolhedor? ou coisas do tipo.

O que muitos não param pra pensar é que como muitas outras coisas no Brasil, o preconceito é mascarado.

Segundo um resultado parcial do Senso 2010 do IBGE, a renda de indivíduos de cor parda a negra chega ser a metade em relação à de indivíduos de cor mais clara em determinadas regiões do Brasil.

O exemplo mais marcante disso é que o Brasil precisa impor um sistema de cotas para que determinadas etnias como os negros e indígenas tenham maiores oportunidades de serem aceitos em instituições de ensino superior. E agora com o decreto nº 43.007, os concursos públicos do Estado do Rio de Janeiro tem 20% de cota para essas etnias.

O Brasil se torna um exemplo em acolher estrangeiros perseguidos fora, mas faz vista grossa aos seus próprios cidadãos que são excluídos aqui dentro.

Lembrando Jabor [5], o Brasil é ?democrático na mídia, mas excludente na vida real.?

Situações como essa são tão perigosas quanto um Apartheid [6], pois não é fruto de uma política racista, mas de uma cultura racista, que não é tão fácil de destituir do poder como um governo.







[1] A citação faz referência a algo que não ocorre naturalmente no Brasil.

[2] Provar.

[3] Separação

[4] Local onde uma minoria está separada do resto da sociedade.

[5] A citação vem do livro Pornô Política de Arnaldo Jabor.

[6] Regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da grande maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca.

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