A apresentadora Martha Stewart prepara seu retorno à televisão, o meio que a coroou há anos como a "rainha" do bom gosto.
- Não mudei. Sou a mesma Martha - assegurou a milionária empresária e criadora de um império midiático, que a manteve há mais de uma década como uma das mulheres mais admiradas e influentes deste país.
Prestes a concluir, em 31 de agosto, a pena de seis meses de prisão à que foi condenada, Martha se mostra decidida a retomar sua bem-sucedida carreira empresarial e o lugar que tentaram lhe roubar durante sua ausência.
A diva sabe que seria inútil se comportar como se nos últimos três anos nada tivesse acontecido, depois da ferrenha investigação empreendida pelas autoridades federais, e de sua ida para a cadeia em outubro.
Martha Stewart não teve nenhum pudor em mostrar à mídia o dispositivo eletrônico que carrega no tornozelo direito e que a controla durante a prisão domiciliar.
Além disso, entre as imagens de sua nova casa, há uma que a mostra na saída do julgamento, com semblante sombrio e cercada por advogados e policiais. Martha, 64 anos, deve retornar ao trabalho no dia 12 de setembro.
A empresária foi condenada em julho do ano passado por perjúrio e obstrução à justiça, entre outros delitos.
A condenação aconteceu devido à venda, em dezembro de 2001, de 4 mil ações da empresa Imclone. Poucos dias após a venda, a cotação das ações despencou na bolsa.
Contudo, os procuradores não conseguiram provar que Martha utilizou informações privilegiadas ao efetuar a transação, que também levou à cadeia seu corretor de ações, Peter Bacanovic.
A condenação da apresentadora dividiu a opinião pública. Enquanto alguns achavam que ela foi transformada em bode expiatório de outros escândalos empresariais, outros consideraram o castigo como um exemplo de que os milionários não são intocáveis.
A estréia de seu programa diário, pelo qual passarão diversas personalidades, e de outro no estilo de O Aprendiz, comandado pelo também milionário Donald Trump, permitirão saber qual é o veredicto da audiência.
- O povo tem memória curta - respondeu Martha quando perguntada se esperava alguma reação adversa por parte da audiência.
Seu retorno foi planejado por Mark Burnett, um mago da televisão e criador de outros "reality shows" que marcaram época na televisão americana.
Com Stewart ainda na prisão, Burnett já sabia do potencial da empresária e a possibilidade de explorar novos ângulos deste autêntico fenômeno midiático, que então passava por sua pior fase.
E tudo parece indicar que ele estava certo. A televisão manterá Martha em evidência, elevará as expectativas sobre o livro que prepara para outubro e ajudará a vender as revistas que também fazem parte do império empresarial.
Tudo isso pode contribuir ainda para valorizar as ações da Martha Stewart Living Omnimedia, que no auge do escândalo, em 2004, apresentaram forte queda.
Com a apresentação dos novos programas, as ações aumentaram em 12%. Na sexta-feira, os papéis apresentaram alta de 4%.