O muçulmano britânico de origem marroquina Mohammed Al-Guerbuzi negou, neste domingo, que esteja sendo procurado por envolvimento nos atentados em Londres. Ele leu uma declaração transmitida pela rede de TV do Qatar <I>Al-Jazeera</i>.
Apresentado em uma silhueta negra, Al-Guerbuzi falou em árabe, com sotaque marroquino, e disse que possui passaporte britânico.
- Não estou foragido. As autoridades britânicas sabem perfeitamente onde eu me encontro. Nego formalmente as acusações da imprensa em relação a um suposto envolvimento meu em atos de terrorismo em Londres ou Madri. Trata-se de acusações falsas, divulgadas por autoridades marroquinas - afirmou.
Este marroquino residente na Grã-Bretanha foi o primeiro citado na investigação dos atentados em Londres. Um pedido de informação foi enviado às polícias da Europa, publicaram neste domingo os jornais londrinos <i>The Daily Mail</i> e <i>The Independent</i>.
Marrocos solicitou várias vezes, em vão, a extradição de Al-Guerbuzi, em 2003 e 2004, disse no sábado uma fonte autorizada de um serviço marroquino de segurança. A Justiça marroquina, que o condenou à revelia a 20 anos de prisão, acusa Al-Guerbuzi de ter participado como organizador dos atentados suicidas que deixaram 45 mortos em Casablanca em maio de 2003.
Um porta-voz da Scotland Yard não quis confirmar se foi feito um pedido de extradição de Al-Guerbuzi, afirmando que "toda referência na imprensa sobre este indivíduo até agora é apenas especulação".
De acordo com algumas fontes, o marroquino Jamal Zugam, considerado um dos principais autores dos atentados que causaram 191 mortes em Madri em março de 2004, ligou para Al-Gerbuzi em Londres várias vezes. No entanto, um investigador especialista em islamismo considerou ontem improvável que o marroquino esteja envolvido nos atentados em Londres, particularmente por ser vigiado de perto pela polícia britânica.
- Entre os marroquinos, a Al-Qaeda não usa teóricos, e sim peritos em explosivos e executores. Al-Guerbuzi, vigiado de perto pela polícia, não entra em qualquer uma dessas opções - afirmou Mohamed Darif, professor de ciências políticas da Universidade de Mohammedia e autor de diversas obras sobre o islamismo.