Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

Marinho cita secretário-geral do PT no caso dos Correios

Quarta, 22 de Junho de 2005 às 03:52, por: CdB

O ex-chefe de departamento de compras dos Correios Maurício Marinho lançou suspeitas sobre processos de licitações que supostamente beneficiariam empresas ligadas ao secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e tentou desvincular-se das denúncias sugerindo investigações em outras diretorias da estatal.

Marinho insinuou que duas empresas ligadas ao PT teriam participado de licitações fraudulentas. A Novadata, do empresário Mauro Dutra, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria participado de uma "licitação esvaziada", na qual a empresa vencedora consegue estabelecer o valor mais alto do contrato.

A HHP, supostamente ligada a Silvio Pereira, teria sido favorecida através de uma compra emergencial de periféricos de computadores, depois de uma licitação ter sido cancelada no começo deste ano.

- Depois houve uma compra emergencial por necessidade contratual se não me falha a memória de 500 impressoras, projeto coordenado pela Diretoria de Tecnologia essa compra foi feita junto a empresa chamada HHP. Voz corrente que essa empresa teria vínculo com o Partido dos Trabalhadores, através do senhor Silvinho Pereira - disse Marinho em seu depoimento.

Cerca de quatro horas depois do início do depoimento de Marinho, a sessão da CPI foi suspensa, para ser retomada às 9h de quarta-feira.

Marinho afirmou que cada diretoria dos Correios atua em limites de competência, responsáveis pelos objetivos de licitação.

O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), teria mencionado em conversas reservadas a intenção de aprofundar as investigações sobre a Novadata.

O Congresso decidiu abrir investigação parlamentar após Marinho ter sido flagrado por uma gravação recebendo três mil reais, supostamente em propina em nome do deputado Roberto Jefferson (RJ), licenciado da presidência do PTB na semana passada.

Marinho repetiu várias vezes a necessidade de investigar as sete diretorias da estatal e repetiu quais eram os partidos responsáveis por cada indicação.

- Na minha diretoria estava o diretor Antônio Osório, do PTB, indicado por Roberto Jefferson. Não é novidade para ninguém. Eu não sou filiado a partido nenhum, mas ele (Osório) e o assessor executivo, são. O presidente (dos Correios) é vinculado ao PMDB, o diretor comercial é vinculado ao PMDB - disse o ex-chefe de departamento.

- Os diretores de Operações e Tecnologia são os únicos dois diretores de carreira da casa. Todos os outros são políticos. Os dois da casa estão na cota do PT - acrescentou.

<b>JEFFERSON 2? </b>

O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) desqualificou o depoimento de Marinho e comparou sua postura com a de Roberto Jefferson, que acuado pelas denúncias nos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), denunciou um suposto esquema de pagamento de mesadas a parlamentares do PP e do PL, comandado pelo PT.

- No depoimento, ele busca propositadamente colocar para fora do que foi denunciado na fita. É até uma identificação com o que o Roberto Jefferson fez, que para não responder uma série de acusações, fez outras - disse Cardoso a jornalistas.

Os parlamentares membros da CPI saíram do depoimento com um sentimento de dúvida em relação às declarações de Marinho e questionaram as contradições entre o depoimento dado à comissão e a gravação.

- Nos vamos fazer uma tabela entre o que foi dito anteriormente e agora. Há posicionamentos controversos e houve mudanças. Ficamos em dúvida sobre as declarações - disse o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS).

O vice-líder do PSDB na Câmara, deputado Eduardo Paes (RJ) concorda com a avaliação de Delcídio, mas disse que o depoimento mostrou que Marinho tem um profundo conhecimento da atuação dos Correios.

- Ele aponta um padrão de corrupção dentro das estatais do governo. Em vários momentos ele entra em contradição e se entrega. Acho que não tem mais jeito, acho que chegamos ao Silvio Pereira - afirmou.

No início da sessão, os membros da CPI aprovar

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