Menos de 24 horas depois do 'Dia de Fúria' que deixou 25 mortos no Rio, o comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio Soares de Moura Neto, disse no Rio que tão logo saia a decisão do governo federal sobre o envio das Forças Armadas para o Estado, a Marinha estará pronta para desempenhar o seu papel, monitorando portos e a área litorânea.
Segundo ele, o processo de estudo das questões formuladas pelo governo fluminense, que se estenderá pelos próximos 15 dias, não será demorado. - Acredito que 15 dias não é tanto tempo para quem já está esperando. Vamos fazer isso direito. É importante que haja o apoio legal para todas as ações das Forças Armadas. Apoio da Constituição. É isso que é preciso ser feito -.
Em Brasília, o ministro da Defesa, Waldir Píres, declarou que o governo federal só espera que o governodo Rio envie ao comando do exército um documento com um ponto a ponto das necessidades do Estado. De posse deste documento, disse Waldir, vai preparar uma espécie de minuta ao presidente Lula, que é quem, em última análise, autoriza o envio de tropas, disse o ministro.
O planejamento das ações para combater a violência no Rio, já começou a ser elaborado nesta terça-feira, informou o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, que adiantou qe essas ações serão discutidas em reunião nesta quarta-feira entre representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública, Secretaria estadual de Segurança e Polícia Militar.
O Rio teve uma noite de muita violência após os tiroteios que começaram pela manhã e se estenderam por parte desta terça-feira no Catumbi, onde pelo menos 13 pessoas morreram.
No fim da noite, três tiroteios entre criminosos e policiais militares deixaram quatro mortos, além de três feridos, no Rio e em Belford Roxo e Nova Iguaçu - Baixada Fluminense.
Em outro confonto, um homem morreu e outros três ficaram feridos num tiroteio com PMs do 9º Batalhão (Rocha Miranda), na entrada do morro do Chapadão, no Bairro do Costa Barros, na Zona Norte da cidade.
Em outro incidente, um policial identificado como Jorge Barbosa, de 48 anos, que trabalhava na Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), foi morto a tiros por bandidos que tentaram levar seu carro, não muito da delegacia em que trabalhara durante a noite.
Cabral parabeniza ação da polícia no Morro da Mineira
O governador Sérgio Cabral disse que as polícias Militar e Civil fizeram um bom trabalho no Morro da Mineira. Mas, após uma solenidade oficial, Cabral lamentou também as mortes que ocorreram durante esse confronto.
- Queria dizer que a ação da nossa polícia foi muito competente. Uma ação com êxito. Nós precisamos agir e vamos continuar agindo. A PM e a Polícia Civil estão de parabéns - disse o governador.
Na ocasião, ele ainda comentou sobre o uso das Forças Armadas, que deve vir para o Rio de Janeiro fazer segurança ostensiva em vias, ruas e praças do estado, e descartou a utilização desses militares em operações como a realizada no Morro da Mineira. Segundo ele, as policias civil e militar estariam mais bem preparadas.
O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, disse que esta terça-feira foi o dia mais violento da cidade nos últimos anos. Maia disse, porém, que está confiante no trabalho do governador Sérgio Cabral no trabalho de segurança pública.