Por José Inácio Werneck - Passo pelo Brasil, aqui em minha cidade natal, a quatro semanas das eleições, e encontro as pessoas perplexas com o que se passa no panorama político, com maus figurantes que se agitam mas não convencem. Marina, a cara nova, por sua vez parece não ter ouvido o velho conselho de Dorival Caymmi: ‘Não pinte este rosto que eu gosto...”
Colunista chega dos EUA no Rio de Janeiro, em meio à campanha eleitoral
Passo pelo Brasil, aqui em minha cidade natal, a quatro semanas das eleições, e encontro as pessoas perplexas com o que se passa no panorama político, com maus figurantes que se agitam mas não convencem. Marina, a cara nova, por sua vez parece não ter ouvido o velho conselho de Dorival Caymmi: ‘Não pinte este rosto que eu gosto...”
O governo Dllma não correspondeu às esperanças, esta é a realidade. A presidente decidiu agora jogar Guido Mantega debaixo do ônibus, numa tentativa de virar os prognósticos, que começam a apontar o favoritismo de Marina.
Aécio procura sobreviver com entrevistas de Armínio Fraga, que acumulou prestígio durante o governo de Fernando Henrique, e assinala que, como Ministro da Fazenda do novo governo, colocaria o país outra vez na rota do crescimento.
Marina mergulha em contradições, como em suas declarações sobre o LBGT e a energia nuclear.
Sou pessoalmente em favor de direitos civis para homossexuais, que lhes garantam tratamento justo perante a lei, mas não a ponto de equiparar o casamento heterossexual com o homossexual.
Só os mais distraídos poderiam achar que, em termos fisiológicos e psicológicos, uma união homossexual é a mesma que uma heterossexual.
A mim me agradaria mais ver Marina com a coragem de suas convicções evangélicas. Ou ela é evangélica ou equipara a união homossexual a uma heterossexual.
Em sua crença religiosa, as duas coisas não são iguais. As conveniências eleitorais são incompatíveis com a fé religiosa.
Marina também tergiversou quanto à energia nuclear. Agora parece ter firmado o ponto de vista de se opor à energia nuclear, o que para mim seria uma lamentável concessão aos fundamentalistas ambientais.
Neste ponto, ela estaria sendo fiel às suas origens, mas prejudicial aos interesses do país.
A energia nuclear não é a única, é claro, que pode a longo prazo substituir a dos combustíveis fósseis, mas é uma parte imprescindível do pacote.
O Brasil não pode, no século XXI, fechar os olhos a esta realidade.
Mesmo se fosse apenas para adotar o discurso dos ambientalistas que acenam com o perigo do aquecimento global, a energia nuclear oferece a vantagem de ser a única que praticamente lança zero dióxido de carbono à atmosfera.
Entre a candidatura pouco convincente de Aécio e a frustração da estagnação econômica do governo Dilma, o Brasil poderia esperar uma nova injeção de esperança com Marina.
Mas a população parece descrente e pouco disposta a acreditar nas promessas dos políticos.
José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.Direto da Redação é um fórum de debates, do qual participam jornalistas de opiniões diferentes, dentro do espírito da democracia plural, editado, sem censura, pelo jornalista Rui Martins.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.