Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

Marina toma votos de Serra junto ao eleitorado das classes ricas

Candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva quer reforçar o combate à corrupção para poder investir mais em cultura no país. Na hipótese, ainda que distante, de ela ser eleita, pretende criar um fundo de R$ 1 bilhão para apoiar projetos culturais.

Terça, 14 de Setembro de 2010 às 11:44, por: CdB
Candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva quer reforçar o combate à corrupção para poder investir mais em cultura no país. Na hipótese, ainda que distante, de ela ser eleita, pretende criar um fundo de R$ 1 bilhão para apoiar projetos culturais. O anúncio foi feito na noite na véspera, em São Paulo, onde Marina recebeu apoio de artistas e personalidades. Marina tem conseguido reunir cada vez mais votos entre as camadas mais ricas da população, justamente onde o tucano José Serra concentra seus apoiadores. – A gente desperdiça tanto recurso com corrupção. É só olhar o que aconteceu recentemente no Amapá. Vamos fechar o dreno da corrupção e investir mais em arte, em criação, em coisa que seja boa para o país – disse ela, ao participar de atividade de sua campanha em uma casa noturna na Rua Augusta, região boêmia no centro paulistano. Estiveram presentes no evento o cineasta Fernando Meirelles, o chef de cozinha Alex Atala e o Rapper X. O apoio de artistas foi destacado por Marina como uma forma de conectá-la “aos núcleos vivos da sociedade”. De acordo com Marina, a criação do fundo de R$ 1 bilhão dobrará o aporte de recursos que hoje são destinados ao setor por meio da Lei Rouanet. – É fundamental um fundo de cultura para que mais projetos possam ser beneficiados, inclusive os que vêm da iniciativa mais popular e que não conseguem se enquadrar, até por critérios técnicos, na Lei Rouanet – disse. Para Marina, investir em cultura é uma forma de gerar novas oportunidades de trabalho e renda. – Temos todo o empreendedorismo criativo. A partir da produção cultural, as pessoas também estão gerando riquezas – disse a candidata ao público endinheirado da capital paulistana. A candidata também destacou a cultura com uma aliada no processo educativo, “para uma aprendizagem que seja produtiva e criativa”. Votos conquistados Imune aos recentes ataques do candidato tucano à adversária petista, Dilma Rousseff, tanto no escândalo da Receita quanto nas recentes – e não confirmadas – denúncias contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, a presidenciável Marina Silva (PV) aproveitou para conquistar votos junto ao eleitorado de maior renda e escolaridade. Dados da última pesquisa Datafolha, divulgada no último sábado, mostram que ela herdou os votos do tucano, o que empolgou, na noite passada, os aliados da senadora, que esperam por uma "onda verde" às vésperas da eleição. A coordenação de campanha do PV comemorou também, nesta manhã, a recente subida da candidata nas principais capitais do país, justamente onde Serra perde votos na medida em que endurece o discurso de campanha contra Dilma, que também segue em crescimento, segundo a pesquisa CNT/Sensus, divulgada pela manhã. Marina ultrapassou o tucano em Brasília e empatou com ele em segundo lugar no Rio e em Salvador. Em Brasília, Marina ganhou oito pontos, e Serra perdeu nove (24% a 16%). A evolução mostra que Marina acertou ao apostar em um discurso cauteloso, sem embarcar na troca de ofensas entre os rivais na disputa. – A população vê essas acusações como um teatro, e a Marina soube bater nos dois adversários sem soar agressiva ao eleitor – disse a jornalitas o ex-deputado Luciano Zica. O parlamentar comemora o aumento da rejeição ao tucano, que chegou a 32%. – Subiu mais que umidade em dia de chuva – espetou.
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