Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2026

Marina Silva alerta para a preservação ambiental

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou nesta segunda-feira em São Paulo que está na hora de o Brasil implementar a legislação ambiental que tem e iniciar as mudanças para um modelo de desenvolvimento sustentável. (leia mais)

Terça, 29 de Julho de 2008 às 12:37, por: CdB

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou nesta segunda-feira em São Paulo que está na hora de o Brasil implementar a legislação ambiental que tem e iniciar as mudanças para um modelo de desenvolvimento sustentável.

- Alguns (governos) criaram marco regulatório, outros criaram medidas importantes de implementação da legislação. Agora cabe a equação de implementar a lei e viabilizar as estruturas para mudança de modelo. E não é fácil mudar modelo de desenvolvimento - disse Marina, que reassumiu sua cadeira no Senado após a renúncia, em maio.

A senadora respondeu a perguntas de jornalistas durante encontro na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) com representantes da federação e com os atores Victor Fasano e Christiane Torloni, fundadores do movimento Amazônia para Sempre.

Questionada sobre a gestão do seu sucessor, Carlos Minc, Marina disse acreditar que o atual ministro esteja dando continuidade às suas políticas.

- Tanto que as medidas tomadas em relação ao aumento do desmatamento foram mantidas, e o ministro está com a responsabilidade de implementá-las. É claro que ele vai dar continuidade e torço para que consiga consolidar as medidas, que não são poucas - disse.

- Às vezes brinco que trocaram seis por uma dúzia. Antes, eu estava no Ministério. Agora tem eu e o Minc, então fez 12 - completou.

Angra 3

A ex-ministra também reiterou a sua posição contrária à construção da usina nuclear de Angra 3, cuja licença prévia foi concedida pelo Ibama, com o argumento de que se trata de uma energia cara e pouco segura.

- Esse investimento que será feito para produção de energia nuclear pode ser feito em outras fontes de energia renovável, o que também é caro por enquanto, mas (em que) se pode fazer um investimento porque é uma fonte mais segura, do ponto de vista dos riscos - disse.

A ministra defendeu rigor na emissão de licenças ambientais, processo pelo qual sofreu críticas na sua gestão e que Minc prometeu acelerar quando assumiu.

- São processos que dão trabalho mas são mais eficazes. Nós saímos de uma média de 140 licenças para 222 licenças por ano, sem que nenhuma tivesse judicializado (sido contestada judicialmente) - disse a ministra.

- Dá mais trabalho, mas é até mais rápido. Uma coisa é dar uma licença de qualquer jeito e depois o Ministério Público com legítima razão entra (na Justiça) e você fica dois, três, quatro, cinco anos na Justiça - completou.

Sobre se teria um grau de ingerência maior fora do governo, Marina disse que a atuação que como ministra e como senadora são "de natureza diferente".

- Dentro do governo pude criar 24 milhões de hectares em Unidades de Conservação. Foi possível fazer um plano que levou 700 pessoas à cadeia, desmontar 1.500 empresas ilegais, apreender 1 milhão de metros cúbicos de madeira - disse Marina.

- São coisas muito objetivas, agora fora do governo posso estar aqui conversando com outros agentes para que a gente saia da agenda de comando e controle e vá para a mais estratégica, do desenvolvimento sustentável - concluiu.

Sem 'reinventar a roda'

A ex-ministra discutiu com os artistas e representantes da Fiesp formas de preservar a Amazônia.

- O presidente (da Fiesp, Paulo) Skaf me convidou para uma reunião de chuva de idéias, nós estamos na primeira chuva", brincou, acrescentando que é preciso avaliar o que já existe em políticas públicas e iniciativas privadas para não se tentar "reiventar a roda" - disse.

Christiane Torloni disse que o país vive um momento decisivo, que comparou à "tomada de consciência" que antecedeu o movimento Diretas-Já.

- Estamos agora, por uma questão absolutamente cósmica, a ponto de sermos líderes mundiais: produzindo alimentos, biocombustível e proteção ambiental. Ou não, podemos ser os maiores vilões do planeta: produzindo a madeira mais ilegal do mundo, a soja mais ilegal do mundo, a carne mais ilegal do mundo, e produzindo o maior deserto do mundo, cabe a nós escolhermos - disse Marina.

- Essa tomada de consciência que mudou a história do país há 20 anos - acrescentou.

Os dois artistas articularam a iniciativa Amazônia para Sempre, que reuniu 1,1 milhão de assinaturas num abaixo-assinado pela preservação da floresta.

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